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terça-feira, 30 de junho de 2009

"A MINHA TERRA"

A minha aldeia é igual a outras tantas;
Chove e faz frio e faz calor…Cheira a terra,
Sonha-se livremente sem guerra…
Ah, terra minha…Tanto que me encanta.

A minha aldeia guarda na memória,
Os tempos das misérias passadas;
Nas rugas deste povo, imenso nadas
Porque dos nadas não se faz história.

Na minha aldeia, ouve-se os passarinhos a chilrear;
Logo de pela manhã, vê-se o sol nascer,
Rompendo devagarinho ao amanhecer
A minha aldeia!... Que bom é lá estar.

É da serra, que é inspiração do meu canto.
Olhos alcançaram largos horizontes,
Percorrendo mundos mil de espanto.

Sal de mágoa e suor rompeu nas fontes;
Povo que trabalha selvagens montes,
Amamos nossa terra, tanto!... Tanto!...

segunda-feira, 29 de junho de 2009

RECEITAS DA MINHA MÃE

CHANFANA À (Tia Susana)

Esta é mais uma maneira que eu encontrei para homenagear a minha mãe e a minha tia Hermínia, deixando neste blog algumas das suas receitas. Receitas essas que tem passado de geração em geração.

Lembro-me que nas festas de Cortecega a minha casa estava sempre cheia de amigos e à sua espera estava a chanfana, o arroz de cabidela, filhós, arroz doce, pão-de- de laranja e a bela broa. Mas o prato favorito era a chanfana, pois a da minha mãe era a melhor,.
Assim aqui vos deixo algumas receitas.

Preparação da Chanfana:

- Deve utilizar-se cabra velha.
1- Coloca-se a carne em vinha de alhos, feita com um bom vinho tinto, sal, alho, cebola, louro, salsa e clorau (pimentão doce).
2- No dia seguinte, deitasse este preparado nas caçarolas de barro (de preferência barro preto, cobre-se a carne com mais vinho tinto, um fio de azeite (ou banha), tapa-se a caçarola com uma tampa de alumínio ou (folha de alumínio).
3- Leva-se ao forno de lenha que deve estar bem quente durante 2 a 3 horas.

Esta carne deve ser servida na própria caçarola de barro e acompanhada com batata cozida.



PAPAS DE MILHO

1 - Coloca-se sobre fogo vivo uma caçarola com bastante água temperada com bom azeite, alho e sal,
2 - Quando a água ferver deita-se-lhe um pouco de couve cortada em caldo verde. (esta couve é da couve para caldo verde).
3 - Quando voltar a ferver junta-se-lhe a pouco e pouco a farinha de milho, (a farinha deve ser peneirada) espalhando-a cuidadosamente e mexendo-a sempre para impedir a formação de grumos.

Quando estiver cozida deita-se em pratos e após 25 minutos acompanha com peixe frito de preferência sardinha assada ou frita.


PÃO-DE-

1- 8 ovos
2- O mesmo peso dos ovos em açúcar
3- Metade do peso em farinha
4- Raspa e sumo de uma laranja
5- Uma colher de café de fermento em pó

Bate-se muito bem as gemas com o açúcar até ficarem esbranquiçadas, junta-se o sumo e raspa da laranja o fermento a farinha e as claras em castelo.
Deita-se este preparado numa forma untada de manteiga e polvilhada de farinha, vai ao forno cerca de 30 minutos. (quem tiver forno a lenha pode fazê-lo nesse forno).

Bom apetite!!!

Caros amigos, prometo brevemente deixar mais receitas, pois penso que se partilhar-mos os nossos saberes ficamos mais ricos.

domingo, 28 de junho de 2009

A MINHA VILA DE GOIS

Já falei um pouco sobre a minha aldeia, agora vou falar sobre a minha linda vila de Gois, dos seus monumentos, gastronomia, festas e romarias e das suas gentes etc.
Com mais de 8 séculos de existência, a Vila de Góis está situada a 40 Km de Coimbra, num vale (Vale do Ceira) estreito e profundo, entre as serras do Carvalhal e do Rabadão, tendo, actualmente, cerca de 6.000 habitantes. O Concelho de Góis, pela sua natureza rural, tem muito para oferecer aos visitantes que chegam ao concelho. O rio, principal elo de ligação de todo o Concelho, dá aos visitantes e veraneantes uma paisagem deslumbrante, desde a terras altas da freguesia do Colmeal até ao Cerro da Candosa (freguesia de Vila Nova do Ceira), local onde se despede do Concelho de Góis para dar entrada no da Lousã.
A fundação da vila é atribuída ao Conde D. Henrique, no século XII. D. Manuel
Monumentos
Do antigo, restam na freguesia de Góis alguns notáveis monumentos, que impõem a que neles nos detenhamos: a igreja matriz, construção original do século XV, sofreu grandes modificações nos séculos seguintes. A frontaria data do século XIX. O interior é de uma só nave. A capela-mor, coberta por uma abóbada manuelina, contém um retábulo dos fins do século XVIII ou princípios do século seguinte e foi construída no século XVI, sob o risco de Diogo de Castilho, precisamente quando a arte gótica se ia extinguindo no nosso país.
Pode reconhecer-se ainda, ponto por ponto, a obra realizada por mestre Castilho em satisfação das exigências do contrato referente a benfeitorias ordenadas por D. Luís da Silveira, senhor do morgadio de Góis, em edifício da sua terra. "O estromento que me fez de obrigação das obras da capela maior da igreja e dos Paços Novos de Góis, entre o Mestre das Obras e o Senhor Luís da Silveira", há largos anos descoberto e publicado em "Um Túmulo Renascença", é uma das mais notáveis peças documentais que podem apresentar-se para esclarecimento da técnica e terminologia das construções manuelinas, representativas do gótico final. Na igreja encontra-se também o túmulo de D. Luís da Silveira (conde de Sortelha e embaixador de D. João III na corte de Carlos V) e de seus familiares, aparatoso mausoléu formado por uma arca, com a estátua do fidalgo, armado e em oração, enquadrada por um baixo-relevo evocativo da Assunção de Nossa Senhora. Data de 1513 e é trabalho muito perfeito: o riquíssimo estilo renascença tem neste monumento um completo e bem conservado exemplar. É feito em pedra de Ança, e os mais diversos lavores, em que os emblemas cristãos se misturam com os mitológicos, adornam com profusão esta preciosa peça de elevado valor artístico. Pelo seu realismo, é atribuído a Hodart, célebre imaginário francês. No altar-mor admiram-se algumas pinturas sobre madeira do século XVI. A pia baptismal, da mesma época, tem bojo canelado e ostenta as armas dos donatários.

A capela do Castelo
é uma construção manuelina coroada de merlões e composta de dois corpos desiguais abobadados sobre nervuras. Das paredes brancas sobressai a cantaria. Sobre a porta figura um brasão de armas. Dentro da capela apenas é digno de nota o retábulo que contém a imagem de Nossa Senhora da Encarnação.

A capela de S. Sebastião é um edifício setecentista de plano octogonal. Apresenta cantarias de esquinas, um portal ornado e cúpula com fecho de pedra. Guarda um retábulo do século XVIII e duas esculturas de madeira da mesma época. A fonte, de arco pleno completamente revestido de azulejos sevilhanos em relevo, data do século XVI. Os tectos apainelados dos Paços do Concelho, são uma obra de grande valor artístico onde são representadas figuras bíblicas e de fantasia, são igualmente considerados monumento nacional. O Castelo de Góis, é igualmente um local onde a história e a beleza paisagística se entrecruzam, obtendo-se uma linda panorâmica da Vila, num horizonte muito alargado.

Em redor de Góis damos um passeio por um vale de sonho, cruzando pontes centenárias, paisagens bucólicas, onde o socalco é rei. Esbeltas florestas pelas Serra do Rabadão e do Carvalhal, ou por recantos, onde o rio salta com eterna impetuosidade, sobre a majestosa fraga na qual se ergue a Ermida da Nossa Senhora da Candosa. A Ponte Manuelina, é igualmente, uma estrutura viária de grande valor.

Gastronomia
Com o andar dos tempos, muitos foram os pratos tradicionais que se perderam, no entanto, está a ser feito um esforço para que se recuperem para a gastronomia dos nossos dias, tendo sido já possível recuperar a célebre sopa de castanhas e o Bucho de Góis. O pão de milho, a célebre broa, são alimentos típicos de Góis que são muito apreciados tanto pelos residentes como pelos visitantes.
O mel, um dos mais apreciados de Portugal, é um condimento que entra em alguns pratos típicos de Góis, tais como nas Filhós de Mel.

Artesanato
Em Góis produzem-se artigos artesanais de grande qualidade, tais como artigos em estanho e rendas.

Festas, feiras e romarias
Todas as terças-feiras é realizado o mercado semanal, a 13 de Agosto é realizada a feira anual e a 1 de Novembro tem lugar a Feira dos Santos. A festa de S. João a 24 de Junho e o Feriado Municipal a 13 de Agosto são as festividades principais.

Texto retirado de http://florestaverde.no.sapo.pt/Gois


REGIONALISMO GOENSE - OCTAGÉSIMO ANIVERSÁRIO.

Já foi publicado em vários jornais e blogs, mas não posso deixar de falar um pouco sobre as comemorações do octagésimo aniversário do regionalismo goiense, que ocorreram na Casa do Concelho de Góis.

Assim, no âmbito das mesmas ocoreu no passado dia 23 de Março as festividades representativas da Freguesia de Góis, com as quais se concluiu o ciclo de homenagem à efeméride do octagésimo aniversário do regionalismo goiense, tendo nelas participado o povo das cinco freguesias do concelho.
Após as varias figuras presentes terem falado sobre o regionalismo, dos novos projectos, da história do nosso concelho etc., foi a vez de se ouvir um pouco de musica entre os quais não podia deixar de haver as concertinas. Quem veio representar esta freguesia foi o Sr. Acácio Bandeira de Cortecega (meu padrinho) o outro era o Sr. Luciano da Folgosa que a todos brindaram com as suas musicas, abrindo o apetite aos saborosos petiscos da nossa região.

Bem Hajam a todos os que se empenharam para que todo isto fosse possivel


sábado, 20 de junho de 2009

FESTAS DE VERÃO - CORTECEGA

Tal como prometi, aqui fica o cartaz das festas em honra de Nossa Senhora Das Neves dia 1 e 2 de Agosto em Cortecega.



Clicar no cartaz para ampliar

quinta-feira, 18 de junho de 2009

FÉRIAS DE VERÃO

Sair de férias é um momento especial na vida de todos nós. Não somente por ser um período dedicado especialmente ao relaxamento do corpo e da mente, mas também porque invariavelmente nos tornamos protagonistas de situações inimagináveis que se constituem, por si só, no verdadeiro prazer de vivermos.
Deixo-vos aqui um convite! Como já puderam verificar pelas fotos dos nossos bloggs, o nosso concelho tem muito para oferecer, começando pelas suas lindas paisagens, os seus recantos escondidos, os seus rios e vales, o seu sol (que bom é acordar e ver o sol a entrar pela janela ao som dos passarinhos), a sua gastronomia, (chanfana, broa de milho, cozido à portuguesa, entrecosto à Cortecega, as migas, o arroz doce, os coscorões o seu vinho etc…) e para mim o mais importante, as suas gentes.
Para quem gosta de poesia como eu, nada melhor que o silêncio deste cantinho perdido no interior do nosso Portugal, para escrever e carregar baterias para a vida agitada que todos vivemos. Nada melhor que passear na minha aldeia e concelho e poder dizer “bom dia tia Maria, como tem passado?” ; “hoje vai estar um dia de sol, não acha?”. Enfim … tantas coisas que nas cidades não se diz, pois muitas vezes não conhecemos o vizinho do lado.
Assim, convido-vos a passar um dia na Peneda, nadar nas suas águas límpidas, levar a comida e fazer um piquenique em família ou almoçar na esplanada ou nos belos restaurantes de Góis.Conhecer as aldeias deste maravilhoso concelho, as suas casas de xisto, os seus moinhos, dançar divertirem-se nas festas de verão e passar a noite na Hospedaria Trepadinha em Cortecega.
Quando entramos de férias, tudo parece que muda; porquê?
Porque as férias fazem-nos esquecer misérias.
Com as férias já podemos descansar.
Para as coisas que acontecem, podermos testemunhar.
Nas férias podemos estar com os amigos,
Sejam eles novos ou antigos.
Férias, são férias, e temos que as aproveitar!



Açude da Peneda


PENEDA (Góis)

ESPLANADA DA PENEDA (Góis)

terça-feira, 16 de junho de 2009

RANCHO FLOCLÓRICO E INFANTIL DE CORTECEGA

Tudo começou por uma brincadeira no início dos anos 70. Como havia muitos miúdos nesta aldeia, a tia Margarida Bandeira decidiu ensaiar umas modas para irmos dançar a Gois dia de Carnaval, mas a recepção foi tão grande que decidiu continuar. Como veio viver para Lisboa não podia continuar a ensaiar o rancho. Ficou a tia Zulmira Bento como ensaiadora e mais tarde a tia Lena Bandeira, mantendo-se até o Rancho acabar nos anos 90. Este rancho percorreu o país dando a conhecer o nosso Concelho através das nossas músicas e tradições. Tinhamos como orientador e apresentador o Tio Mário , era ele quem fazia apresentação das musicas e danças que nós com muito orgulho representávamos.
Foi sempre acolhido com muito carinho e só acabou porque como é uma aldeia pequena as pessoas cresceram e tiveram que se ausentar da terra procurando uma vida melhor.
Como naquela terra são todos família mantêm-se em contacto todo o ano unidos não só pelos laços familiares como pela mesma causa, lutar para que a terra que nos viu nascer possa ser um orgulho para os seus filhos e para quem a visita. Assim há alguns anos atrás, pelas festas de verão, alguns elementos que estão mais próximos decidiram ensaiar algumas modas do antigo rancho com elementos antigos e seus filhos. Assim, dia das festas de verão em honra da Nossa Senhora das Neves há 4 anos atrás o Rancho Renascer apresentou algum do antigo repertório. Foi muito aplaudido pelas pessoas que pediram para continuarmos. Mas não é fácil uma vez que estamos longe um dos outros e os nossos filhos estudam e alguns trabalham e que torna difícil para ensaiar. Mas, como o que nos dá alegria nunca esquece, sempre que possível voltamos a dançar, como por exemplo no almoço das vindimas que todos os anos se realiza durante o mês de Setembro.

Aqui deixo algumas fotos para poderem recordar.


FOTO DO RANCHO NO SEU INÍCIO

UNS ANOS MAIS TARDE

FOTO DE HÁ 4 ANOS ATRÁS (descendentes)

ALMOÇO DAS VINDIMAS -2006

segunda-feira, 15 de junho de 2009

A MINHA ALDEIA

A minha aldeia é a mais bonita de todas as aldeias. Foi ali que nasci há 46 anos atrás. Numa casa velhinha e pequenina mas cheia de amor e carinho. Em frente havia um sobreiro, hoje, já nem as raízes onde eu tantas vezes brinquei, existem.
Para sempre recordar este fim-de-semana resolvi tirar algumas fotos à minha aldeia, para mais tarde as minhas filhas poderem mostrar às suas o que já foi esta terra. Como eu gostaria de ter uma foto do sobreiro que foi um marco na aldeia! Contava a minha mãe, que ali paravam para descançar, as pessoas que passavam para irem para a Cabreira, Sandinha, Capelo etc..
À sua espera, estava sempre um copo de água fresquinha e uma palavra amiga que a minha avó Jacinta e mais tarde a minha mãe davam às pessoas para se refrescarem e animarem.
Assim, vou deixar aqui fotos das ruas de Cortecega, da capela, do sino, do largo das festas, dos fontanários, do posto do antigo telefone Público e do forno de cozer a broa. Tudo isto é maravilhoso, são as raizes às quais eu tenho muito orgulho de pertencer!

O SINO DA CAPELA

FORNO DE COZER A BROA

O LAVADOURO

FONTANÁRIO DO Bº. DA CASTANHEIRA

FONTANÁRIO DA BICA (do ano 1930)

CASA DO TELEFONE PÚBLICO
RUA DO QUELHO DO CABEÇO

RUA DO SOBREIRO
ESCADA DA EIRA
RUA DA QUELHA

LARGO DO FUNDO

RUA DA BICA

LARGO DA CAPELA

FESTA EM HONRA DE NOSSA SENHORA DAS NEVES

À semelhança dos anos anteriores vai realizar-se dias 1 e 2 de Agosto as festas em honra de Nossa Senhora das Neves.

Sabado dia 1/8/2009:

Por agora só posso dizer que no sábado vamos ter a missa na capela em honra de Nossa Senhora das Neves, seguida de procissão pelas ruas da aldeia, cujos aldeães fazem uma passadeira em flores para a procissão passar (é muito bonita esta procissão). Para animar a noite o tão conhecido acordeonista “TIAGO SILVA” de Orvalho – Bogas de Baixo, que actuará até de madrugada.

Domingo 2/8/2009:

Será servido o almoço da Associação pelas 13:00, durante a tarde haverá jogos tradicionais e a tradicional sardinhada (estão todos convidados) a broa caseira e o bom vinho da região. A noite será animada pelos sons das belas concertinas tocadas pelos tocadores desta terra.

Mas esteja atento a este blog, pois vai haver mais surpresas. Brevemente publicarei o panfleto das festas, assim como a foto do acordeonista Tiago Silva.

A MINHA ALDEIA

" Da minha aldeia vejo quando da terra se pode ver no Universo....
Por isso a minha aldeia é grande como outra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura...

Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista a chave,
Escondem o horizonte, empurram nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a única riqueza é ver. "
Alberto Caeiro, em "O Guardador de Rebanhos"