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quarta-feira, 24 de março de 2010

NOITE DE FADOS


No fim-de-semana passado tive o privilégio de ir assistir a uma noite de fados, cujo o tema era “Estranha Forma de Vida”.
Mas não era uma noite qualquer. Era sim a noite de fados organizada por um grupo de jovens da igreja da Tapada das Mercês. Jovens que dedicam parte da sua vida a ajudarem o outro.
A maneira que eu arranjei de os homenagear pelo seu trabalho e dedicação, foi dedicar-lhes este meu simples poema.

******************
Estranha forma de vida!
Era o tema da noite de fado
Mas estes jovens mostraram
Que Deus está ao seu lado

Mais um ano, e lá estavam
Os jovens da GJM tapada mercês
Organizando uma noite fados
Com muita alegria e sensatez

Mais uma vez se realizou
No salão da igreja S. Miguel
Ouvia-se de vez aquando
Os gritos do ardina Manel

Olha o jornal, Foi em 1976
Que um grupo se juntou
Para animaram as missas
E amar o próximo, Como Jesus amou

Ao longo destes anos
Esta mensagem, tentaram transmitir
Ajudando quem mais precisa
Levando amor, fazendo sorrir

As mesas estavam cheias
De famílias e amigos
Entre o caldo verde e sangria
Havia muita alegria

Os fadistas cantaram bem
A todos encheram de emoção
A D. Eugenia e D. Deolinda
Cantaram com o coração

Por momentos olhei a sala
Um silêncio se fazia sentir
Todos virados para o palco
Olhando com ternura e a sorrir

Houve fados canção
Ora devagar, ora apresados
Jovens e menos jovens
Com gargantas afinadas

À mesa chegava um sorriso
Dos jovens que perguntavam!
Está tudo Bem! quer alguma coisa.
Que de mesa em mesa andavam

Não tenham duvidas, O SENHOR
Estás sempre no nosso caminho
De mim, destes jovens e de todos
Escondido, mas atento num cantinho

Obrigada caros Jovens
Por esta linda lição
Não percam essa humildade
Sempre de alma e coração

Eugénia Santa Cruz
20/3/2010

domingo, 21 de março de 2010

O SONHO DE UMA JOVEM BEIRÃ


Há quatro anos atrás
Quando decidi voltar a estudar.
Não fazia uma pequena ideia,
Da matéria que ia encontra.

No terceiro ou quarto dia
Apeteceu-me desistir.
Mas, a força era tão grande,
Que em frente consegui seguir.

No ultimo dia do ano lectivo de 2006
Era uma realidade, eu não queria acreditar.
O 12º ano tinha concluído,
E mais um passo do meu sonho acabara de concretizar.

Foi difícil, duro tive de lutar
Mas a vida é mesmo assim.
No caminho encontrei colegas e professores,
Que diziam…não desista, tem de chegar ao fim.

Há muito que eu dizia,
Quero aprender melhor português.
Pois, a raça da pontuação,
Não entravam no meu cérebro de vez.

A oportunidade chegou
De voltar a estudar.
Um passo de cada vez,
E mesmo velhinha, o meu curso hei-de acabar.

Cheguei à sala de aulas
Só conhecia a Cristina, mais ninguém.
Mas logo me apresentei,
E tudo correu muito bem.

Não sabia o que ia encontrar
Nem onde era o centro de Formação.
No primeiro dia ao passar o portão,
Achei tudo uma grande confusão.

Mas estava bem enganada
A realidade era bem diferente.
A confusão dos carros, não interessa,
Interessa sim, a oportunidade que dão a tanta gente.

Dois meses após o português
Cá estou eu novamente.
A tirar “Matemática para a vida”
Pois, quero seguir em frente.

Estudar, ler e aprender sempre mais
É uma riqueza, para todos nós.
A idade não importa, o local também não,
Colegas, desejo muita sorte a todos vós.

Já Fernando Pessoa, o poeta, dizia
O sonho comanda a vida.
O meu, o vosso e de todos os que lutarem,
Será recompensado um dia

Não me vou esquecer de nenhum de vós,
Desejo que todos os vossos sonhos se realizem.
Nunca deixem em momento algum de lutar,
Pois, algumas Ritinhas e Sandras, na vida vão encontrar.

OBRIGADA Sr. PROFESSORES

Eugénia Santa Cruz
Poema de 2008

A PARÁBOLA DA ROSA

A parábola da rosa

“Um certo homem plantou uma rosa e passou a regá-la constantemente, antes que ela desabrochasse, examinou-a. Viu o botão que em breve desabrocharia, mas notou espinhos sobre o talo e pensou: "Como pode uma bela flor vir de uma planta rodeada de espinhos tão afiados?"

Entristecido por este pensamento, ele recusou-se a regar a rosa, e, antes que estivesse pronta para desabrochar, ela morreu

Assim é com muitas pessoas. Dentro de cada alma há uma rosa: as qualidades dadas por Deus e plantadas em nós crescem ao meio os espinhos das nossas faltas. Muitos de nós olhamos para nós mesmos e vemos apenas os espinhos, os defeitos.

Nós desesperamos, achando que nada de bom pode vir de nosso interior. Nós nos recusamos a regar o bem dentro de nós, e, consequentemente, isso morre.

Nós nunca percebemos o nosso potencial. Algumas pessoas não vêem a rosa dentro delas mesmas; Alguém lha deve mostrar.

Um dos maiores dons que uma pessoa pode possuir ou compartilhar é ser capaz de passar pelos espinhos e encontrar a rosa dentro de outras pessoas. Esta é a característica do amor -- olhar uma pessoa e conhecer suas verdadeiras faltas.

Aceitar aquela pessoa na nossa vida, enquanto reconhecermos a beleza em sua alma e ajuda-la a perceber que ela pode superar suas aparentes imperfeições.

Se nós mostrarmos a essas pessoas a rosa, Elas superarão seus próprios espinhos. Só assim elas poderão desabrochar muitas e muitas vezes.”

Texto retirado da internet, mas que para mim, tem muito significado.

quinta-feira, 18 de março de 2010

DIA DO PAI


O Dia do Pai constitui uma homenagem aos pais de todo o mundo. Em Portugal o Dia do Pai celebra-se a 19 de Março, o Dia dedicado a São José, pai de Jesus.
Feliz dia para todos os pais do mundo.
PAI
Neste dia pensei em escrever-te uma pequena carta e não um poema.

Quando pensei em escrever-te uma carta , achei que seria uma das maneira de dizer mais uma vez o quanto te amei e amo.
Afinal algumas das coisas que sentimos não podem simplesmente serem traduzidas em palavras por serem únicas.
Falar do meu amor por ti e das saudades que sinto seria fácil, mas não capaz de expressar a intensidade dos meus sentimentos.

Talvez até estejas, neste preciso momento a espreitar sobre o meu ombro, acompanhando as palavras que vão surgindo no ecrã do computador.

Pai, partiste cedo, eu tinha apenas 13 anos, talvez por isso eu não tenha tido tempo de te dizer, tantas vezes como gostaria o quanto gostava de ti (e ainda gosto), não tive tempo, mas o que me conforta é saber que mesmo sem ouvires muitas vezes, tu sabias o quanto eras amado.
... Estás noutro local, um local para onde foste, um local de sossego, de paz, não é ?... Tenho saudades tuas, pai !... Lembras-te do dia em que nos disseste até logo?...E nós respondemos!... pai trás chaços!... (rebocados). Não voltaste…Mas deixaste gravado no meu coração o teu doce olhar.
Sei muito bem o quanto sofreste para que nada falta-se aos teus filhos, para que tudo estive-se bem. por tudo isto!...Obrigada pai.

Que a luz divina te proteja.

Um beijo da tua filha,
Eugénia Santa Cruz

quarta-feira, 17 de março de 2010

MINHA ALDEIA "CORTECEGA"

Cortecega


A minha aldeia é única
Rodeada de serras e vales
De flores de rosmaninhos
Que cheirinho fica no ar
Ao passear naqueles caminhos

Uma terra linda de morrer
Suas gentes simples e humildes
Sempre com alegria para dar e vender
Estão sempre prontos a ouvir
Os desabafos de quem sofrer
Por amor ou desgostos de viver

Esta terra que me lembro sempre
A mesma onde cresci e vivi
Esta minha terra amada
De gente simples e leal.
Esta terra abençoada

Do alto da serra do Rabadão
Vislumbra-se um magnífico esplendor.
Sente-se uma paz no coração
Inspiração única para qualquer escritor

O Rio Ceira corre a seus pés…
Aqui, onde a água beija as pedras cristalinas
E a natureza continua inocente
Relembrando os campos e sua vinhas.

No ar… o cheiro das flores
O esvoaçar de um bando de pardais
E o sorriso da lua ao sol.
E há noite, os passarinhos nos beirais

Vê-se o dia a terminar…
As pessoas a regressarem.
De mais um dia de trabalho
Para o seu lar descansarem

Poema: Eugénia Cruz
12/3/2010

segunda-feira, 15 de março de 2010

SACRAMENTO DO CRISMA EM GOIS

Este fim-de-semana fui à minha aldeia. Foi fantástico, os dias estavam lindos. As manhãs um pouquito frias mas o sol durante o dia aquecia a nossa alma.
Foi bom reviver o Sacramento do Crisma em Góis, e tendo o privilégio de voltar a ser madrinha da minha afilhada, foi excepcional, pois quando a baptizei foi uma escolha dos pais, agora já adolescente foi uma decisão dela própria consciente no caminho da evangelização e da fé, o que me deixa cheia de orgulho. Há muitos anos que não assistia a este sacramento na linda Igreja Matriz de Góis. Foram mais de 100 crismandos, sinal de que a fé permanece no coração destes jovens e menos jovens.

O que é o sacramento do Crisma?

O Crisma é a confirmação do Baptismo. Além disso, é a proximidade maior com a Igreja e a fé cristã e também o momento em que se acrescenta o dom do Espírito Santo. A Crisma é o sacramento do cristão que está amadurecendo na fé. Este é um dos sacramentos que oferece maiores oportunidades para a evangelização dos jovens. Vem do latim "confirmare", confirmação tem o sentido de consolidar, firmar o cristão na fé. Não há idade para a pessoa ser crismada, basta ela saber se está com total maturidade para se tornar cristã.
Pelo Baptismo nós nascemos, pela Crisma nós crescemos na vida da graça.

O SR. BISPO DE COIMBRA QUE PRESIDIU À CERIMÓNIA

ALTAR DA IGREJA MATRIZ DE GÓIS

terça-feira, 9 de março de 2010

A ALDEIA ONDE CRESCEU O MEU PAI...

Meu pai ( Arlindo de Santa Cruz)

Tal como prometido, aqui publico o texto que fiz sobre a aldeia onde nasceu o meu pai e que vai estar a concurso no blog http://www.aldeiadaminhavida.blogspot.com/. a partir do dia 14/3/2010, Visite, desfrute da leitura e vote no seu texto preferido.

Escrever algo sobre a aldeia onde o meu pai nasceu não é difícil, pois é das aldeias mais bonitas de Portugal, é a minha aldeia. Mas antes quero falar do maravilhoso ser que era o meu Pai de nome Arlindo Santa Cruz. Nasceu a 17 de Março de 1932, um dos mais novos de sete irmãos. Homem de estatura baixa, lindos olhos azuis, amigo de todos. Para o meu pai tudo estava bem, de um coração do tamanho do mundo, estava sempre pronto a ajudar o próximo, um grande pai.
O meu pai morreu muito novo, mas deixou-me muitas mensagens (valores) que ainda hoje regem a minha vida, uma delas tem a ver com o dia em que saiu de casa para honrar um compromisso e não mais voltou. No dia anterior tinha se comprometido após muita existência por parte de o antigo patrão em o ir desenrascar e acabar umas janelas que só ele sabia fazer, pois era um excelente marceneiro. No dia seguinte, acordou muito doente e a minha mãe disse-lhe:
-Arlindo não vás trabalhar, estás tão doente! Nós cá nos arranjamos sem esse dinheiro.
Ele respondeu:
-Mulher, eu comprometi-me e já o meu pai dizia que vale mais a palavra que o dinheiro e eu quero honrar o meu compromisso.
Foi ao nosso quarto despediu-se dos filhos e prometeu trazer (chaços) rebuçados. Morreu nesse dia, atropelado por uma mota ao regressar do trabalho.

O meu pai, rumou a Lisboa nos anos 40 para trabalhar numa carpintaria no alto de S. João: “CARPINTARIA MELÃO”. Entretanto, como gostava da minha mãe regressou a aldeia para casar. Mais tarde a minha mãe e a minha irmã mais velha vieram ter com meu pai a Lisboa, mas um ano depois regressaram novamente à aldeia. Foi trabalhar para a oficina que se mudou de Lisboa para Góis e ali viveu até dia 30 de Setembro de 1976 dia em que faleceu. Tiveram 6 filhos, quatro rapazes e duas raparigas.

Falar da aldeia de Cortecega, é dizer que é uma aldeia pequenina, situada no interior de Portugal a 4 km da linda vila de Gois, seu concelho, a 40 km da Cidade dos (Doutores) Coimbra, seu Distrito. Tem o privilégio de estar rodeada de vales e montes verdejantes, casas de Xisto, pintadas de branco, amarelo e azul, ruas e caminhos limpos. O Rio Ceira passa a seus pés com suas águas límpidas e cintilantes.
Recebe vem quem a visita, agora com poucos habitantes. Mas, já teve muita gente, chegou a haver um grupo folclórico com cerca de 30 elementos todos desta aldeia, éramos todos família, porque todos os irmãos/ãs do meu pai casaram com irmãos/ãs da minha mãe, outros casaram com pessoas da terra, assim, mais tarde os seus descendentes era quase tudo família.
A vida nos anos trinta nas aldeias era muito difícil. Os jovens raramente iam a escola, tinham de trabalhar no campo ajudando no cultivo das terras e guardar o rebanho. Às vezes, quando tinham fome, ordenhavam uma cabra e bebiam o leite com a broa que levavam na sacola. Como não havia energia eléctrica na aldeia, tudo era feito à luz da candeia a petróleo. A água era transportada em bilhas que eram enchidas no chafariz da aldeia.
A alimentação nas aldeias baseava-se no feijão, grão, batata, hortaliça e pão, trigo e milho que eram produzidos pelos próprios habitantes. A carne de galinha e de porco que criavam durante o ano eram as carnes mais consumidas.
Usavam roupa às vezes com remendos, andavam descalços ou usavam botas fortes, feitas nos sapateiros da aldeia, com sebo para não molhar os pés quando ia para o mato ou para o campo. Tinham que ir apanhar mato para pôr nos currais dos animais e depois tiravam o estrume para fertilizar as terras. Era assim a vida nas aldeias onde viveu o meu pai.

Os seus habitantes foram sempre muito unidos. São estes que ainda hoje tudo fazem para que a sua terra tenha as condições necessárias para receber bem quem a visita. Foi construída uma hospedaria “HOSPEDARIA TREPADINHA” com a força vontade e muito trabalho, (pode consultar as fotos no meu Blog). Ao longo do ano são realizados vários encontros, sempre com almoços e festa. As mais relevantes são Festa de N. S. das Neves no primeiro fim-de-semana de Agosto, o Almoço da Amizade em Março/Abril, os Motardes em Agosto, encontro de concertinas e almoço das vindimas em Outubro entre outros.

E, assim fiz um pequeno texto retratando um pouco a aldeia onde nasceu e cresceu o meu pai.

Eugénia Santa Cruz

sexta-feira, 5 de março de 2010

DIA 8 DE MARÇO DIA INTERNACIONAL DA MULHER

MULHER "MINHA MÃE"
Embora eu ache que dia da mulher é todos os dias, não posso deixar passar este dia ( uma vez que ele existe) para homenagear todas as mulheres deste mundo. Mas, este ano quero em especial homenagear a mulher que foi a minha MÃE, através deste meu simples poema.

Neste dia da Mulher
Não posso deixar passar
Sem algo escrever
E ao mundo gritar
Que tu foste o mais Belo ser.

Foste mulher e minha mãe
Com o teu jeito doce de amar
Representaste bem o teu papel de mulher
Com um instinto de bicho, protegias as tuas crias
Ao coração de todos conseguias chegar

Obrigado mulher e mãe
Por tudo o que me ensinaste
Hoje sou o que sou
Porque ao mundo me deitaste

Ser mãe e mulher, parecem condições óbvias
Mas não são fáceis de desempenhar da melhor maneira.
És a minha referência de mulher
Deixaste-me o mais puro do saberes:
Nunca deixar de ser verdadeira.

Ser Mãe e Mulher, é jornada dura.
É um dom que Deus te deu.
Tu soubeste honrar este dom
E ensinaste-me a honrar o meu.

Ser mulher é renascer a cada segundo
É perdoar mesmo sem querer
É entender todas as mazelas do mundo
Ser mulher é atingir o "COMPREENDER".

Um beijo para todas as mulheres e mães deste mundo.

Poema: Eugenia Santa Cruz

quinta-feira, 4 de março de 2010

DIA DO PAI


Texto publicado no blog dia 14/3/2010 na http://www.aldeiadaminhavida.blogspot.com/. Visite, desfrute da leitura e vote no seu texto preferido.
Pode ler o texto brevemente publicado neste blog com o titulo "Aldeia onde cresceu o meu pai", aqui muito mais desenvolvido pela razão de na blogagem colectiva o texto estar limitado a 25 linhas e falar do homem que foi o meu pai é impossível em 25 linhas.
É perfeitamente compreensível estar limitada, pois muita gente vai querer falar do seu PAI.

A MINHA ALDEIA

" Da minha aldeia vejo quando da terra se pode ver no Universo....
Por isso a minha aldeia é grande como outra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura...

Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista a chave,
Escondem o horizonte, empurram nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a única riqueza é ver. "
Alberto Caeiro, em "O Guardador de Rebanhos"