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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

PASSAGEM DE ANO 2010/2011 EM CORTECEGA


A NOSSA ASSOCIAÇÃO

Foi com alegria que acabei de receber a noticia, e aqui a publico, que na Associação Desportiva e Cultural de Cortecega se vai realizar o Reveillon, ou seja a passagem de ano.
Neste momento já podemos contar com 50/60 pessoas mas esperamos por mais.
Tudo foi resolvido à última hora a pedido de um grupo de Aveiro e outro de Lisboa e como sempre Cortecega e a sua gente não se negam a nada, é com alegria que os recebem e a quem mais queira estar presente.
Assim, é com muita alegria que convidamos quem queira passar esta noite connosco para aparecer. Pedimos, se possível, que contactem a presidente da associação
D. Celeste Santos ( 91 734 0773) ou a Dina (916217413) de modo a haver uma noção da quantidade de pessoas presentes.

O preço é de 10€ por pessoa com direito a:

Entradas várias;
Camarão;
Leitão da Bairrada com batatas fritas e salada;
Doçaria Regional; (não esquecendo as tradicionais coscorões feitos na hora e comidos quentinhos com canela e açúcar, ou mel)
1 Bebida à escolha

Para dar as boas vindas ao novo ano será servida Champanhe e as devidas passas. Nos primeiros minutos de 2011 será servido Caldo Verde…
Estaremos sempre acompanhados por música do DJ GOMO e o já tradicional baile à Cortecega ao som das concertinas e acordeão.
Junta-te aos amigos de Cortecega e serás recebido com tal…
O nosso lema é “VEM E TRÁS UM AMIGO E SERÁ NOSSO AMIGO TAMBÉM”

P.S: O fogo de artifício ainda está por acertar, mas o mais certo é haver….

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

FELIZ NATAL

DESEJO A TODOS OS LEITORES DESTE BLOG UM SANTO NATAL E O MELHOR 2011 POSSÍVEL!


Nesta época Natalícia
Damos ao outro muito carinho
Mas não podemos esquecer
De dar também ao Deus menino!

Amar e perdoar são qualidades
Que nos devem sempre acompanhar
Nesta quadra santa, ama e perdoa,
Dobra o amor que tens para dar.

Uma estrela vem de Belém
Anunciar o Deus menino
Outra segue para todas as casas
Para guiar o nosso caminho.

Lembramo-nos dos que precisam
E nada têm, nem sopa nem pão
Que a estrela que paira no céu
Alimente o seu coração

Nestes tempos de dificuldades
Vamos aproveitar para repensar
Onde podemos melhorar
E um novo ano começar

Repara a manjedoura pequenina
E entenderás a bênção que te invade,
Que Jesus nos coage à disciplina
Pelo agreste caminho da humildade.

Que as nossas prendas de Natal
Sejam paz, amor e compreensão
Que ao longo de todo o ano
Invadam o nosso coração.

Esqueçamos então todo o mal,
Neste tempo de Amor!
A todos, votos de um Santo Natal
Um abraço cheio de calor!


Poema de:
Eugénia Cruz
Natal 2010

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

SER BOMBEIRA

'' Ser Bombeiro é mais que uma profissão, é sem dúvida uma vocação pelo simples prazer de proteger a vida.
Não existe nada mais nobre que salvar vidas. Os Bombeiros entendem disso mais que ninguém, por que investem corpo e alma numa profissão de alto risco. E tudo isso, para que todos aproveitem os melhores momentos de suas vidas com segurança e tranquilidade. Ser Bombeiro é acima de tudo amar e proteger a vida até o ultimo instante. Ser Bombeiro é trabalhar por amor á vida dos outros. ''

Como mãe de uma jovem Bombeira, cujo seu coração é do tamanho do mundo, o pai e a irmã (que também entrou para os bombeiros, mas por motivos universitários teve de deixar) sentimos um orgulho muito grande neste ser maravilhoso. Mas, confesso que se pudesse escolher, não a deixaria seguir este sonho, simplesmente porque sou mãe e tenho medo que algo lhe aconteça.
Eu desde pequena que via a minha mãe sofrer, pois os meus três irmãos eram bombeiros, via as minhas tias sofrer pois quase todos os meus primos eram bombeiros, eu própria nunca fui directamente bombeira mas sempre estive na retaguarda.
Mas, quem conhece a Aldeia de Cortecega sabe que o seus habitantes sempre estiveram e estão prontos para ajudar o outro, e ainda hoje ali há pessoas que são bombeiras como é o caso da Patrícia e da Marlene , tal como o seu tio Rui , que há muitos anos são bombeiros e dignificam cada vez mais a sua terra dando o seu testemunho.
A minha filha Rita tem as suas raízes nesta linda terra do interior e desde pequenita que dizia quando for grande ia ser bombeira como os tios e primos.

Tinha 15 anos quando entrou para os Bombeiros Voluntários de Sintra, onde frequentou e concluiu a escola de Cadetes. 1 ano e meio mais tarde, apos muito esforço e dedicação , concluiu a escola para Bombeira de terceira, mas como só fez 18 anos em Agosto, só na passada sexta-feira , dia 17, em conjunto com mais quatro colegas subiu para o tão esperado posto. Como mãe orgulhosa aqui deixo algumas fotos desta comemoração uma vez que ela pertence à nossa aldeia onde nos eventos que ali se vão realizando, ela está presente e trabalha ao nosso lado desde que chega até ao anoitecer
.


A Rita com o pai e a irmã

O pai foi o outro Padrinho, que colocou uma das divisas e o machado. A Rita com a mana e a "Titi" Ana


O Ruka , o padrinho a colocar o capacete e o machado.


O Juramento , onde estes novos bombeiros de terçeira prometem dar toda a sua dedicação e humildade perante o trabalho que apareça e perante a farda que erguem.


Os familiares e convidados de todos os bombeiros

O abraço e beijo emocionado do pai e irmã
A Ritinha , com o pai , a mãe (eu) e a irma.


O batismo das divisas pelo Chefe João Antunes e Ruka

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

CONTO DE NATAL "A BONECA DE MARIA" II PARTE

CONTINUAÇÃO... II PARTE
Todo como esperava: a ceia, a lembrança dos ausentes, os sapatinhos em redor da chaminé, a impaciência para ir buscar as prendas que, apesar de serem humildes, tinam afinal, um sabor de surpresa e novidade.

Mas na verdade esse Natal não foi como o dos outros anos…, Maria nunca o esquecerá.
Quando foi a correr de manhã ver o que o Menino Jesus lhe deixou no sapatinho viu que estava…vazio. Mas ao lado viu algo invulgar…um embrulho e com um laço de várias cores, ao abrir depara-se com algo muito especial, era uma linda boneca de rosto macio e brilhante, abria e fechava os olhos e dizia mamã como sempre sonhou.

Que se passava? Quase não podia acreditar. Os irmãos tinham prendas diferentes dos outros anos: uma gaita de beiços, um carro dos bombeiros e uma bola grande para jogar futebol.

A correr, Maria foi procurar a mãe:
- Veja, mãe, este ano o Menino Jesus consegui trazer-me a prenda que tanto lhe pedi.
Olhe que boneca tão bonita vou chamar-lhe Jacinta como a avó.

O pai olhou para ela e disse:
- Este senhor é o teu tio João que vive na América, ontem apareceu em casa da tua avó, para fazer uma surpresa a todos nós, graças a Deus. Vai ficar por cá uns tempos.
A tua mãe bem dizia que ele havia de voltar. Dá-lhe um grande beijo que ele está cheio de saudades tuas.

- Foi o Menino Jesus que me trouxe esta boneca tão linda! – Repetiu a Maria.
- Que linda que ela é, nunca vi outra assim concordou o tio numa gargalhada ao ver a alegria da sobrinha.

Mas, qual não é o espanto da Maria quando percebe que a boneca que tanto desejou, não era mais importante que as meias ou camisola que costumava receber nos anos anteriores.

Maria cresceu, casou e teve duas filhas, que todos os anos fazem uma lista para o Pai Natal a pedir-lhe as prendas que mais gostariam de ter. Na noite de Natal quando abrem os presentes e não recebem tudo o que pediram ficam tristes, então a mãe diz-lhes:
- Filhas o Pai Natal tem muitas crianças, não pôde dar-vos todo o que vocês pediram.
O mais importante não é a quantidade de brinquedos que recebem, mas o modo como vos é dado, pois é dado com muito amor; e com muito amor deve ser recebido por vós.

O importante no Natal é acreditar que o Menino Jesus nasceu em Belém há mais de dois mil anos para alegria e paz de todos nós e que o Natal deve ser todo o ano.

FIM

sábado, 4 de dezembro de 2010

CONTO DE NATAL "A BONECA DE MARIA" I Parte

FELIZ NATAL

Queridos leitores:
Resolvi transcrever aqui um dos vários contos inscritos por mim com a simplicidade que sempre coloquei em todos os meus trabalhos. Pois não sou escritora nem poeta simplesmente gosto de escrever no papel aquilo que me vai na alma.
Este Conto de Natal “A Boneca de Maria” inscrito em 2001 retrata um pouco de como era o natal da minha infância, do qual sinto muitas saudades, apesar de não ter tido as comunidades e bem estar dos dias de hoje, no entanto era mais puro, mais autêntico e mais mágico.
O natal dos dias de hoje nada tem a ver com a magia de antigamente, do verdadeiro sentido do Natal, do Nascimento do menino Jesus, que através das escrituras nos diz que nasceu num estabulo e anos mais tarde deu a vida por nós.
Hoje olhamos à nossa volta e o que o que vemos? Correria aos grandes centros comerciais, os encontrões, passamos uns pelos outros e nem nos conhecemos, muitas vezes damos prendas que as pessoas que as recebem nadam ligam, nos dias seguintes bem a angustia, pois o dinheiro foi embora e em muitas casas não há que comer. Gere-se as discussões e do Natal já ninguém se lembra. Quem se lembra que nessa noite tantos estão a passar fome?
Meus caros leitores, o que os meus pais me transmitiram é que o Natal é família, não interessa as prendas ou o que comemos, mas sim as conversas e a união em família nos fazem crescer e ter forças para enfrentarmos os dias difíceis que estamos a viver.

Espero que gostem da primeira parte do meu conto que hoje aqui deixo. Daqui a uns dias publicarei o resto.

“A BONECA DE MARIA”
I Parte
Era uma vez uma menina chamada Maria que vivia nas serrarias do Centro deste País com os pais e quatro irmãos.

Desde pequenina que ouvia falar do Natal, do Menino Jesus, que nasceu em Belém nos Reis Magos e na estrela que vinda do oriente anunciou o nascimento do menino Jesus.
Acreditava que ele trazia prendas e as deixava nos sapatinhos das crianças que na véspera de Natal à noite os colocassem na chaminé, para que na manhã seguinte elas fossem buscá-las.

Todos os anos Maria, esperava ansiosamente pela noite de Natal, noite santa, noite em que toda a família se juntava de um modo muito especial, como se estivesse mais unida e feliz por ser aquela em que o Menino Jesus novamente descia à terra.

Quando se aproximava o Natal dizia para os irmãos e os amigos:
Este ano vai haver neve, é tão bonita a neve!

Todos os dias, quando chegava da escola ela ia para o monte com as ovelhas e pedia olhando para o céu:
- Menino Jesus, traz algumas prendas para mim, para os meus irmãos e para todos os meninos da aldeia pois somos pobres e não temos ninguém que nos dê prendas. Só a tua bondade poderá dá-las, e não te esqueças dos meninos de todo o mundo.

No primeiro dia de Dezembro Maria fazia um presépio em sua casa. Como os pais não podiam comprar as imagens, ela fazias com pequenas coisas:
Pedras que ia buscar ao campo para construir a cabana para o menino com telhado de folhas de árvore secas, palhinhas que cortava para armar o berço do Menino Jesus; os Reis magos as casas e os moinhos fazia-os de bocadinhos de madeira que o pai lhe trazia da carpintaria onde trabalhava, o rio era representado por tiras das pratas dos chocolates que os pais lhe compravam de longe em longe, as ovelhas eram uns pedacinhos de lã que retirava do gado que apascentava.

Quando o presépio ficava pronta, Maria olhava-o encantada e pensava que podia haver presépios mais bonitos mas nenhum mais desejado e feito com tanto carinho. Então ajoelhava-se diante dele e pedia ao Menino Jesus a sua prenda: uma boneca que dissesse mamã, para ela brincar com as meninas suas vizinhas e amigas.

Na noite de Natal, já a escuridão avançava com frio e neve, jantava “ era a chamada Ceia de Natal”, com os pais e os irmãos: bacalhau com batatas e couves, filhós polvilhadas de açúcar e canela, tudo com um sabor raro, até as conversas alvoraçadas sobre tudo dos pequenos, que ainda hoje recorda.

Quando todos tinham acabado, a mãe juntava as mãos sobre a mesa e, como se continua-se a conversa, lembrava as pessoas da família que não estavam ali. Havia uns momentos de silêncio. Até as crianças se calavam, talvez pelo olhar terno, calmo que a mãe lançava sobre eles; e em seguida ela mencionava os pais, os amigos mais queridos.
A Mãe acabava por dizer lentamente:
- E não vamos esquecer o meu irmão João, tão meu amigo, que um dia abalou para a América, mas há-de voltar, conforme prometeu ao sair daquela porta.

O pai respondia que esse irmão nunca tornaria aquela aldeia pobre e perdida na serra, só mandava uma carta de longe em longe a dizer que estava bem, Tinha muito trabalho e enviava saudades para todos; Quanto ao regresso, nem uma palavra.
- Há-de voltar, que assim o prometeu, insistia a mãe.

Maria e os irmãos levantavam-se da mesa e iam aquecer-se em redor da lareira acesa;
Junto da chaminé faziam um carreirinho com farinha daí até à porta, para o Menino Jesus ao chegar visse melhor por aquela neve o caminho a seguir para pôr as prendas nos sapatinhos. Cansada e ensonada Maria foi para a cama.

Na manhã seguinte acordava cedo e corria com os irmãos para ver se dentro do seu sapatinho estava a boneca com que tanto sonhara; mas encontrava, ano após ano, umas meias ou uma camisola, porque o Menino Jesus era tão pobrezinho como ela e não lhe podia dar essa boneca: tinha que satisfazer todos os meninos naquela noite. Ela ficava triste, mas quando calçava as meias ou vestia a camisola sentia-as tão quentinhas que logo se esquecia da boneca que tinha pedido.

Tomava o pequeno-almoço e ia com os irmãos e os pequenos vizinhos à missa do Natal agradecer junto do presépio iluminado e colorido, com figuras e barro, as prendas que recebera; de volta a casa tinham de percorrer uns quatro quilómetros, voltavam cansados mas contentes porque em casa os esperava um almoço melhor que nos outros dias; carne assada no forno de lenha, filhós, aletria e arroz doce, todo cozinhado pela mãe e a tia para ela, e para a família que nesse dia se juntava para festejar o Natal.

Quando Maria já era crescida, a mãe e a tia ensinaram-lhe a fazer as suas bonecas: de trapos, com a boca, os olhos, as sobrancelhas bordadas com tanto primor que pareciam princesas.

Depois veio um outro Natal: frio e neve a anunciar que o Menino Jesus iria voltar com o saco cheio de prendas para as crianças. Mais uma vez Maria lhe pediu a boneca tão desejada.........


Surpresa!!!

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

NOTÍCIA SOBRE CORTECEGA

Aqui publico a notícia que saiu no JORNAL O VARZEENSE sobre o evento realizado em Cortecega.
Cortecega estará sempre disponível para vos receber e poder contar com o vosso meio de comunicação para dar a conhecer o que se passa nesse nosso lindo concelho de Góis.
Um bem-haja há equipa que trabalha e faz com que noticias como esta sejam lidas por centenas de pessoas aqui e alem fronteiras.
Clike em cima da noticia para a poder ler em tamanho maior








domingo, 21 de novembro de 2010

POEMA "O SOBREIRO"

Deixo aqui um poema que o meu Amigo João Celorio (poeta) fez ao meu texto sobre "A MINHA RUA" Obrigada amigo...

Um seu pedido, já antigo,
minha mão nunca se nega
aqui está o meu verso amigo
para a Eugénia de Cortecega!

Todos temos a nossa rua
tenha ela ou não sobreiro!
Cada um chama-lhe sua
e é sua de corpo inteiro.

Porém o facto primeiro
não se aplica a todos nós.
Ter uma árvore, um sobreiro,
ali junto, à porta dos avós.

Sobreiro à beira da estrada,
que vai de Góis à Cabreira,
tornava, à gente cansada,
menos penosa a canseira.

Porém, não só havia um banco
para que o viajante bem se sinta,
havia o cuidado bom e franco
duma boa alma, de nome Jacinta!

Com nove filhos para criar,
todo o mundo era seu filho,
sempre havia água para dar
e, vejam, até broa de milho!

E, assim, pela sua bondade,
onde o outro está primeiro,
ficou para a eternidade.
Tia Jacinta, do Sobreiro!

O sobreiro apodreceu
e o tempo tudo apagou,
mas o povo não esqueceu
e Rua do Sobreiro ficou.

Como o sobreiro, já velho,
também avó Jacinta se finou.
A sua filha tomou conselho
e sua boa obra continuou.

E, fizesse frio ou calor,
a todo que ali passava,
havia um gesto de Amor.
E, a obra continuava!

Com tais exemplos, assim,
melhor ninguém fariam.
Eugénia fez um jardim.
Ela e Hermínia, sua tia.

Com a estrada alcatroada,
e um banco à sua porta,
não precisava mais nada.
A conversa não era morta!

Os veraneante, de Lisboa,
quando lá iam, no Verão,
juntavam-se à gente, boa.
Estendiam a manta no chão.

Assim, sentados nas mantas,
eram essas noites vividas
e lá ficavam, até às tantas,
contando histórias da vida.

Então os jovens da aldeia,
além de muito conversar,
como todo o amor enleia
faziam quadras, ao luar.

História como esta haverá,
salvo melhor opinião,
e também dentro terá
o que cabe num coração!

sexta-feira, 19 de novembro de 2010





No âmbito da blogagem de Novembro do blog. “ALDEIA DA MINHA VIDA" deixo aqui mais uma historia da minha aldeia, Quem gostar e quiser, pode votar ou comentar a mesma no http://www.aldeiadaminhavida.blogspot.com/ .








"A MINHA RUA"


" PLACA DA "RUA DO SOBREIRO"


Casa familiar e o Local onde antigamente existiu o Sobreiro. Hoje é um pequeno jardim.


Rua da quelha ----------------- Rua do Sobreiro

Como se de um sonho se tratasse, tenho na minha mente ainda memórias, de um lugar que foi sem dúvida, um marco importante na história da minha aldeia, o tão conhecido ‘’ Sobreiro ’’.
Este sobreiro existiu mesmo junto à porta da casa dos meus avós maternos, Uma casa muito grande (tipo casa senhorial) que mais tarde foi dividida pelos meus tios e pela minha mãe, e que hoje é a minha casa de família, ou seja minha e dos meus irmãos deixada pela minha mãe. Mesmo ali em frente existiu um sobreiro que ficava à beira da estrada, em terra, que ligava Góis à aldeia da Cabreira e outras aldeias seguintes.

Debaixo deste sobreiro existia um banco grande em pedra para as pessoas que iam a pé à vila de Góis, e aquando ali passavam já cansadas de tantas horas, por vezes demoravam um dia a ir e voltar, a pé debaixo de sol quente, se sentavam para descansar à sombra do mesmo. Mas havia mais, a minha avó Jacinta era conhecida por ser uma mulher muito bondosa. Ela não podia dar muita coisa pois tinha 9 filhos para criar, mas tinha sempre uma caneca de água para dar aos que ali paravam para matar a sede, embora a tivesse de ir buscar bem longe em cântaros à cabeça, e também um bocado de broa para matar a fome, pois eram tempos muito difíceis. Se estava a chover muito e as pessoas vinham molhadas tinha a lareira acesa para enxugar as suas roupas e aquecer os seus corpos. Depois, já quentinhos, estes seguiam em direcção ás suas casas. A minha avó ficou conhecida pela ti Jacinta do Sobreiro.

O tempo foi passando e o sobreiro apodreceu. Mais tarde com as obras das ruas, o resto (o touco) do sobreiro foi destruído. Este local ficou conhecido pelo Sobreiro e mais tarde foi dado o nome àquela rua, a Rua do Sobreiro.

Quando a minha avó Jacinta partiu, a da minha querida mãe herdando a bondade da minha avó passou a fazer a mesma coisa, ajudava quem ali passava.

Já no meu tempo de juventude ali fiz um jardim mais a minha tia Hermínia. Já com a estrada alcatroada foi colocado um banco à minha porta onde as pessoas se sentavam, e ainda hoje se sentam, para conversar, a minha mãe vinha à porta perguntar se queriam alguma coisa. Muitas vezes ali se bebeu café da púcara quentinho e uma fatia de broa com o que havia para acompanhar.

No verão quando as pessoas, vindas de Lisboa visitavam a aldeia para passar férias, estas juntavam-se à noite, no local onde existiu o Sobreiro, colocavam mantas no chão e partilhavam até às tantas da madrugada as suas histórias de vida.

Nós os jovens da aldeia, e não só, ali nos juntávamos à noite para conversar, olhar as estrelas, tocar viola, concertina, escrever quadras para mandar nas cartas aos namorados, e outros, para namorar.

A minha história não é de nenhum autor conhecido da praça, mas conta a particularidade de um local, uma rua que ainda hoje está cheia de magia. A minha rua não é uma rua qualquer, sem passado nem história. É parte de mim. Se hoje sou feliz e tenho toda uma bagagem de vida, foi porque a minha rua promoveu minhas primeiras necessidades sociais, educacionais e fez-me crer em sentimentos verdadeiros.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

"O MEU CASTELO PREFERIDO"

Mais uma vez foi publicado uma história sobre um monumento do nosso lindo concelho-Gois. Esta história inscrita por mim foi publicada no Blog http://www.aldeiadaminhavida.blogspot.com/., cujo o tema da blogagem de Outubro era “O Meu Castelo Preferido.
Só a vou aqui publicar aqui por causa de um dos comentários deixado nesse blog sobre esta minha pequena historia. Achei-o muito bonito e resolvi partilha-lo com vocês caros amigos e leitores.
Aproveito mais uma vez para agradecer ao seu autor Sr. João Celorico, do blog. http://salvaterraeeu.blogspot.com/ que já anteriormente tinha comentado outras histórias sempre através de poesia.


Um encantador Castelo...da Vila de Góis

Este mês o tema é “O meu Castelo Preferido ’’. Pensei de imediato falar de um dos vários castelos existentes em Sintra que já visitei, e onde moro. Mas, pensando melhor, porque não falar e dar a conhecer o pequeno mas encantador Castelo existente na minha linda Vila de Góis? Assim aqui fica uma pequena história deste castelo.

A capela do Castelo é uma construção manuelina coroada de merlões e composta de dois corpos desiguais abobadados sobre nervuras. Das paredes brancas, sobressai a cantaria. Sobre a porta, está representado um brasão de armas. Dentro da capela apenas é digno de nota o retábulo que contém a imagem de Nossa Senhora da Encarnação.

Esta capela foi construída no século XVI, por vontade de D. Luís da Silveira, 17º Senhor de Góis e 1º Conde de Sortelha. A capela sofreu, no entanto, uma série de transformações aquando da sua recuperação, na primeira metade de novecentos. Assume posição de destaque do alto do morro do Castelo, de onde pode apreciar-se bela vista sobre a Vila de Góis e as montanhas que a rodeiam. No seu interior, encontra-se a imagem de Nossa Senhora de Fátima, que é usada todos os anos na Procissão das Velas, que se realiza nos dias 1 e 31 de Maio: no dia 1 a imagem é transportada até à Igreja Matriz, no dia 31 a imagem regressa ao local de origem.

Diz-se que a Capela foi construída com os antigos materiais de uma fortaleza que ali existe.

Um local que a mim me diz muito pois ali passei, na minha juventude, bons momentos, onde namorei com o meu marido e mais tarde foi neste jardim que tirei as fotos do dia do nosso casamento, pois tem um jardim lindíssimo. A vista panorâmica sobre a linda vila de Góis, o Rio Ceira que passa a seus pés, de onde se pode ouvir as águas cristalinas descendo de pedra em pedra, a espada de S. Tiago, trabalhada na própria encosta da Serra do Rabadão. O Parque de Campismo que se encontra mesmo em frente à escadaria principal da Capela do Castelo, onde eu já tive o privilégio de passar uma noite num dos bangalows ali existentes. Ao acordar vinha à porta, que está virada para o castelo.

E assim aqui fica a minha pequena historia para a blogagem de Outubro.

Comentário:
Olá, Eugénia!
Vou guardar a minha curiosidade de saber que castelos são esses que a Eugénia conhece em Sintra e que eu desconheço!
Posto isto, vou comentar apenas o texto.

Eugénia foi ao castelo
mas então que viu ela?
No lugar dum castelo
viu uma linda capela!

Num retábulo, digno de nota,
esta manuelina construção
tem, para a gente devota,
a Senhora da Encarnação!

Também, na sua juventude,
nos diz ali ter passado
bons momentos, amiúde.
Ela e o seu conversado.

Recorda bem cada momento
e, do jardim, suas flores
gravou, no seu casamento,
em belas fotos. A cores!

E lá em baixo o rio Ceira
de tão cristalinas águas
ia correndo, sem canseira
cantarolando nas fráguas.

De Santiago a espada,
é realidade ou visão,
na encosta, trabalhada,
da Serra do Rabadão.

É uma história pequena
mas podia ser comprida.
Posta em escrita amena,
é uma história da vida!

Abraço,
João Celorico

A MINHA ALDEIA

" Da minha aldeia vejo quando da terra se pode ver no Universo....
Por isso a minha aldeia é grande como outra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura...

Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista a chave,
Escondem o horizonte, empurram nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a única riqueza é ver. "
Alberto Caeiro, em "O Guardador de Rebanhos"