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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

UM DIA EM FAMÍLIA




Naquele dia, naquela família, que nem sempre tinha tempo para eles mesmos...o pouco tempo livre era passada na maioria das vezes a discutir, esquecendo o verdadeiro conceito de família. O pai, resolveu que aquele domingo ia ser passado de forma diferente.
Disse à esposa para preparar a cesta de piquenique que iriam dar um passeio até à praia. A mulher ficou um pouco surpreendida, ainda pensou que estaria para chegar alguém pois não era costume do marido sair, estava sempre indisponível, achava que passear com a família ou sair com amigos não era assim tão relevante, uma saída apenas a quatro era uma raridade, mas naquele dia enganou-se, eram só mesmo eles os quatro que foram dar aquele passeio.
Mãe e filhas estavam radiantes, com tal decisão tomada pelo pai, iria ser um dia diferente...só para eles...só em família!
Ainda não era propriamente tempo de praia, mas os ventos estavam favoráveis e até estava um bom dia...assim que lá chegaram, as meninas saíram do carro e correram para ver o mar...estavam tão contentes...e estavam ansiosas por molhar os pezinhos e brincar na areia.
E assim aconteceu, correram descalças pela areia, até chegar à beirinha do mar...e quando a água fria tocou os seus pezinhos, elas soltaram um gritinho de alegria!
O dia estava a correr ás mil maravilhas...o pai, aquela pessoa que pouco tempo tem para elas...estava, naquele momento, a ajudá-las a fazer o castelo mais lindo...assim o diziam, ou pelo menos assim o desejavam...
A mãe, mais uma vez foi surpreendida pelo pai, pois era hábito deste, pegar no seu jornal e lê-lo...mas naquele dia não....aquele, era o dia da família!

As meninas, essas estavam radiantes...no fim da construção miraculosa, pai e filhas de maus dadas, pegaram no baldinho de areia e perguntaram à mãe, se queria ir ajudá-los a apanhar conchinhas, mas a mãe preferiu ficar a guardar os pertences, pois nunca se sabe...mas no fundo, ela preferiu ficar a observar, pai e filhas...preferiu ficar a apreciar aquele momento raro...lá iam eles tão entretidos em apanhar as conchinhas que sorriam para eles, cada vez que uma onda lhes banhava os pés!

Quando chegou a hora de almoço, escolheram um parque junto à praia, onde aí colocaram uma mantinha feita de trapos pela avó no seu tear, uma toalha bordada pela mãe e então aí deram início ao almoço...
No fim, de almoçar, ali permaneceram um bocado de tempo, pois o cansaço venceu-os e adormeceram...ali estavam os quatro, a tomar a sesta no fim de almoço...!
Algum tempo depois já passada a hora de fazer a digestão, regressaram à praia, onde aí brincaram o resto da tarde....mais conchas, mais castelos, jogar à raquete, jogar à bola...fazer buracos na areia...enfim, brincaram, brincaram...divertiram-se a quatro!
Por fim, chegou a hora de ir embora, arrumaram as suas coisinhas, entraram no carro e rumaram até casa...., quando lá chegaram já era praticamente noite...
Quando a mãe foi deitar as meninas, estas que estavam tão cansadinhas pelas brincadeiras...ainda disseram à mãe, que tinham adorado o dia e rezaram a Jesus a agradecer, a mãe, ficou sensibilizada pelas palavras das meninas....!
Após, ter escutado, as palavras das meninas, dirigiu-se ao quarto e abraçou o marido, agradecendo o dia que este lhes tinha proporcionado e lamentou-se por serem tão poucas as vezes que tal acontecia!
Vendo bem, é tão fácil agradar às crianças...é só dar um pouco de atenção...vendo ainda melhor...é tão fácil, se quisermos estar em família...por que será que estes momentos são tão escassos?

Actualmente, os pais estão mais preocupados em ganhar dinheiro...em trabalhar...e depois são raros os momentos de partilha...são raros os momentos de carinho, de atenção...mas, acredito que com um pouco de esforço, um pouco de boa vontade, todos teríamos tempo e tudo o mais para a nossa família!

Por vezes, não nos permitimos estes momentos, porque somos egoístas e esquecemos-nos que na família, não somos os únicos, existe sempre mais alguém para além de nós mesmos! Esquecemos-nos do verdadeiro conceito de FAMÍLIA!

Momentos de reflexão inscritos por:
Eugénia Santa Cruz
2011

A MINHA ALDEIA

" Da minha aldeia vejo quando da terra se pode ver no Universo....
Por isso a minha aldeia é grande como outra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura...

Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista a chave,
Escondem o horizonte, empurram nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a única riqueza é ver. "
Alberto Caeiro, em "O Guardador de Rebanhos"