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sábado, 30 de janeiro de 2010

O ADEUS DO CONCELHO DE GOIS AO AMIGO GIRÃO

Funeral realizou-se ontem:
O adeus de Góis ao amigo Girão. Das figuras públicas ao mais simples munícipe, foram largas centenas de pessoas que se despediram do ex-presidente, que todos viam como homem bom.
Os populares não se cansam de elogiar o homem que, dizem, estava sempre disponível para ajudar. Entre aquele que foi até há alguns meses o presidente da Câmara de Góis, Girão Vitorino, e aqueles com quem se cruzava diariamente na rua, não havia diferenças. Era sobretudo «um amigo», disse ontem um dos muitos munícipes presentes no último adeus ao ex-presidente da Câmara de Góis. A doença – um carcinoma pulmonar detectado há dois anos – foi mais forte e Girão Vitorino não resistiu. Faleceu quinta-feira e ontem foi a enterrar, no cemitério de Góis, depois de uma missa de corpo presente na igreja matriz à qual assistiram largas centenas de pessoas.
Da personalidade do homem que foi presidente da Câmara de Góis, o seu povo, aquele a quem serviu durante nove anos, destaca a humildade e simpatia. «Era uma pessoa exemplar», comentava Fernando Barata, no decorrer do funeral do seu antigo presidente, lembrando o tempo em que conheceu Girão Vitorino, na altura em que este começou a trabalhar em Góis por conta da EDP. Conceição Custódio, também habitante de Góis, vai mais longe e afirma mesmo que «toda a gente gostava dele, mesmo quem não era da sua cor política».
De facto, diferenças políticas foi o que não se notou existir no funeral do ex-presidente. De uma ponta à outra do distrito, praticamente todos os autarcas fizeram questão de marcar presença no último adeus ao antigo colega. Porque, na verdade, Girão Vitorino foi isso mesmo: um companheiro de profissão. De Oliveira do Hospital a Tábua, passando por Soure, Penacova, Miranda do Corvo, Lousã, Penela ou Pampilhosa da Serra, entre muitos outros presidentes de Câmara, todos estiveram lá, nas cerimónias fúnebres, assim como o governador civil, o presidente da Federação Distrital do PS e muitos outros responsáveis a nível distrital.
O secretário de Estado Paulo Campos representou o Governo, mas acabaria por estar em dupla condição. «Venho também como homem da região, que está reconhecido pelo trabalho feito pelo Girão. Toda a sua vida foi um lutador e nesta região os lutadores são precisos», afirmou Paulo Campos, prestando a «homenagem» e «reconhecimento» ao antigo presidente da Câmara de Góis.
Lutou por Góis,
lutou contra a doença
A simpatia que todos apontam a Girão Vitorino estende-se a Espanha. O alcaide de Oroso, vila geminada com Góis, deslocou-se de propósito para o adeus àquele que diz ter sido «um amigo». O relacionamento com Girão Vitorino começou com o processo de geminação, mas foi muito além disso. «Era mesmo amizade», recordou Manuel Miras Franquilha, afirmando mesmo que desde o momento que o conheceu o achou uma pessoa «muito humana» e «amigo dos seus amigos».
Girão Vitorino iniciou a sua vida autárquica em 1977, como vereador e acabaria por assumir a presidência da Câmara de Góis em 2000, com a saída de José Cabeças para a ARS. Manteve esse cargo até 2009, e foi mesmo com alguma dificuldade que o terminou, devido à doença. Diz quem com ele privou mais de perto nesta fase mais difícil da sua vida que ele foi um lutador. Victor Baptista foi um deles. Falando no homem «simples, de trato fácil, mas inteligente e estratega», o presidente da Federação Distrital do PS reconheceu também que «estava em profundo sofrimento». «A natureza roubou cedo Girão Vitorino», lamentou Victor Baptista, recordando o dia de segunda-feira passada, em que esteve com ele no hospital e ele «ainda estava consciente» e com vontade de «regressar por um dia a Góis». «O concelho perdeu um grande homem, o PS perdeu um dos grandes no distrito e eu perdi um amigo», disse, com emoção, o presidente da distrital.
Lurdes Castanheira, que acabaria por encabeçar uma candidatura socialista em virtude da doença de Girão Vitorino, recorda os longos anos de amizade entre os dois e tudo aquilo que aprendeu com o antigo autarca. «Foi a pessoa que mais me ajudou a avançar com uma candidatura», reconheceu, considerando ser «um privilégio suceder a um autarca como Girão Vitorino». Qualidades? «A extrema humildade, carinho, dedicação, sentido de filantropia e grande disponibilidade para ajudar», sintetizou a autarca.
«Foi sempre um lutador convicto, nunca baixou os braços e foi um autarca exemplar», reconheceu, por sua vez, o governador civil, Henrique Fernandes
Vozes
Estava sempre disponível. Alguma coisa que nós pedíssemos ele ajudava no que fosse preciso. O Sr. Girão Vitorino lidava bem com toda a gente.”Fátima Neves Habitante de Góis
Góis perdeu um grande defensor das causas do concelho que, não sendo seu natural era seu de adopção. Eu perco um grande amigo.” Helena Moniz Vereadora no último mandado de Girão Vitorino
Girão Vitorino era uma pessoa muito humana e amigo dos seus amigos. Desde o momento em que o conheci que me brindou com a sua amizade” Manuel Miras Franquilha Presidente da Câmara de Oroso, Galiza, Espanha

Conheci-o no ano de 81, quando vim para Góis trabalhar. Foi uma pessoa com quem tive a oportunidade e o grato privilégio de conviver e aprender.”
Lurdes Castanheira
Presidente da Câmara de Góis
in Diário de Coimbra, 30/01/2010

tags: camara gois, góis
Texto retirado do Blog- penedos de Gois

2 comentários:

Acacio Moreira disse...

Olá Eugénia!
Acabo de tomar conhecimento através do seu post, da morte do nosso ex presidente da câmara Girão Vitorino.
Lamento a morte deste homem que em muito se dedicou ao conselho.
É uma meta que mais cedo ou mais tarde todos nós atingimos.
Beijo
Acácio

Helena Teixeira disse...

:( Parece que foi um homem que deixou a sua marca nessa região.Vê-se pelo povo que o acompanhou até a sua última morada.O meu Adeus ao Sr. Girão Vitorino. Não conhecia,mas admiro quem os da terra amam :)

Jocas gordas
Lena

A MINHA ALDEIA

" Da minha aldeia vejo quando da terra se pode ver no Universo....
Por isso a minha aldeia é grande como outra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura...

Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista a chave,
Escondem o horizonte, empurram nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a única riqueza é ver. "
Alberto Caeiro, em "O Guardador de Rebanhos"