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domingo, 27 de junho de 2010

CORTECEGA “ALDEIA EM MOVIMENTO”


Fui convidada para estar presente no primeiro encontro de blogger a realizar no dia 10/6/2010 em Trancoso. Este convite foi uma surpresa para mim, pois, quando criei este espapaço em 2008 a minha intenção era falar um pouco da minha aldeia e das actividades ali realizadas ao longo do ano.
Embora este evento se realiza-se a mais de 390 Km da minha residência nada me podia impedir, aceitei a agarrei esta oportunidade para vos poder falar e mostrar o quanto é lindo o sítio onde nasci e as maravilhas da Natureza que o rodeiam.
Mas tudo isto não seria possível sem a ajuda do meu marido e filhas e amigos. A todos muito obrigada.

A Origem do nome da aldeia de “Cortecega”
Existe uma divertida história antiga acerca da origem do nome da aldeia. Conta-se que a aldeia se chamava apenas ‘Corte’. Mas uma vez, há muito tempo, um residente da aldeia deslocou-se para o mercado de Góis para aí comprar uma suína. No regresso a casa, reparou que a suína era cega. Assim o aldeão disse para o animal:”Caminha para Corte, cega!” Conta a história, que daí em diante, a aldeia ficou conhecida como Cortecega.
No entanto, no Censo de 1527, a aldeia está identificada como ‘Cortecega’, com cinco fogos. Face a estas informações, a história antiga é muito provavelmente um conto imaginativo, mas que apresentamos como uma curiosidade engraçada.

Onde fica:
Situada no coração de Portugal, é uma pequena aldeia do concelho de Góis, Distrito de Coimbra, região Centro e sub-região do Pinhal Interior Norte. Fica a 4 km da vila de Góis e a 45 km da cidade de Coimbra. Tem o privilégio de estar rodeada por vales e montes verdejantes e é constituída por uma mistura encantadora de velhas e novas casas, umas ainda de xisto, outras pintadas de branco, amarelo e azul. A Rua Principal desce ziguezagueando para uma velha praça por entre edifícios de xisto. A aldeia tem um ambiente activo e cheio de vida.

Actividades:
Ainda que a aldeia tenha poucos habitantes (11residentes permanentes) apresenta um ambiente activo e com a dinâmica própria do mundo rural. As pessoas tratam das suas tarefas diárias e param para conversar uns com os outros. Os habitantes são, na sua maioria, idosos pensionistas, mas que praticam agricultura de subsistência ou agricultura familiar, cuidam dos animais e ainda cozem a broa no forno de lenha. Rara é a família que não tem uma parcela de terra ocupada por batatas, alfaces, couves de diversos tipos, feijão (seco e verde), milho, trigo, árvores de fruto: cerejeiras, macieiras, pereiras, videiras... Muitas famílias desta aldeia fazem também criação de animais: ovelhas, cabras, galinhas, abelhas, resultando daí inúmeros benefícios, por exemplo, carne, mel leite, ovos, bem como a produção de estrume que é um excelente fertilizante dos terrenos agrícolas.
Há uma capela no meio da aldeia, dedicada à Nossa Senhora das Neves e a antiga ‘Eira do Povo’ que depois de restaurada é agora a área das festas verão. Recebe vem quem a visita, agora com poucos habitantes. Mas, já teve muita gente, chegou a haver um grupo folclórico com cerca de 30 elementos todos desta aldeia, percorrendo o país representando assim as suas tradições. Éramos e somos todos uma família.



Associação Desportiva e Cultural de Cortecega
A par desta dinâmica muito própria, nesta aldeia foi criada uma associação: a Associação Desportiva e Cultural de Cortecega cuja constituição data de 22 de Outubro de 1996. Actualmente, sem fins lucrativos, tem cerca de 130 associados. Foi criada para promover o convívio social da população residente e visitante e é dinamizada por um povo muito empreendedor e com um profundo espírito de associativismo.
Foi no dia 19 de Julho de 1998 que colocámos a 1.ª pedra daquele que, naquela altura se sonhava que viesse a ser o nosso Centro de Convívio, onde nos pudéssemos reunir para conviver e ali desenvolver actividades recreativas e desportivas, à semelhança do que víamos noutras aldeias.
Mas quisemos ser ousados e recordo que o então Presidente da Câmara Municipal de Góis, Dr. José Cabeças, um dia num dos muitos almoços convívio em que participou, incentivou-nos a criar uma hospedaria no 1.º piso. Arregaçamos as mangas e vai disto. Tivemos o apoio do LEADER +, um Programa Comunitário que financiou uma parte da obra. Mas havia que trabalhar muito, pois a restante parte da despesa era suportada pela Associação. Passámos a organizar ainda mais eventos.
Neste momento esta Associação conta com: uma sala para mais ou menos 200 pessoas, uma cozinha, despensa, Bar, escritório, WC e mais duas divisões para arrumos.
A hospedaria tem: 6 quartos com 2 e 3 camas cada, todas com WC privativo, uma cozinha (com um frigorifico um microondas e mesa), uma sala (com televisão mesa e sofás), casa das máquinas, casas de banho para deficientes etc.…
Ainda não está totalmente pronta, mas já reúne as condições necessárias para ali se poder passar umas pequenas férias. Quem sabe se para o ano estará a funcionar a 100% e assim poder dar emprego a uma ou duas pessoas.
No exterior: podemos ver algumas mesas e cadeiras, Hoje já podemos contar com a sombra das árvores ali plantadas.

A enorme Casa do Convívio situa-se na Estrada Principal, à entrada da aldeia, abre aos fins-de-semana. Nestas instalações fazem-se também, com marcação antecipada, almoços e jantares para o máximo de 200 pessoas.

Ao longo do ano são realizados vários convívios. Os mais relevantes são:
• Festas em honra de N. S. das Neves no primeiro fim-de-semana de Agosto
• Almoço da Amizade em Março/Abril,
• Concentração dos Motardes em Agosto
• Encontro de concertinas, Almoço das vindimas em Outubro
• Passagem de ano entre outros.
• Jogos tradicionais: Torneio de tiros aos pratos
• Passeios - todo – terreno
.

Confecção de refeições durante a Concentração Motard, que conta com a participação de cerca de 20 mil motards;
A cozinha, como toda a outra organização envolvida, é feita pelos aldeões.
Todas as actividades e eventos que a Associação realiza vão no sentido de adquirir meios financeiros que ajudem a custear a obra da Sede e do Centro de Convívio, que teve início em 1999.
Esta Associação tem crescido e melhorado com passinhos de bebé e deve-se muito ao trabalho voluntário, à boa vontade e ao querer das pessoas que dela fazem parte, uns residentes, outros naturais não residentes, que optaram (ou a vida assim quis) por viver noutros locais: Arganil, Coimbra, Lisboa e outros, mas sempre que podem vão até à sua aldeia.
A união e o empenho caracterizam estas gentes (em que eu própria me incluo) que, desde sempre, procuraram reunir esforços em prol do desenvolvimento social e económico da sua Região e, ao longo dos anos têm sido e continuam a ser impulsionadores de um maior bem-estar, de melhor qualidade de vida das populações e do meio a que pertencem.

É interessante recordar que…
Outrora (finais dos anos 70, inícios dos anos 80), a pavimentação das ruas da aldeia, o saneamento básico, a electrificação das habitações e das ruas foram trabalhos árduos realizados de forma mais célere, graças ao empenho e persistência de algumas das pessoas que actualmente constituem a Associação Desportiva e Cultural de Cortecega.

Há cerca de 20 anos atrás, havia um moinho, a cerca de 2km de Cortecega, junto ao Rio Ceira, num lugar chamado Javiel. As mulheres costumavam carregar o milho em cestas por cima da cabeça para moer no moinho. Depois deixou de funcionar e hoje está em ruínas, no entanto outro foram reconstruídos, sendo hoje um ponto de referência do passado.

Concelho de Góis
Não poderia falar da minha aldeia sem falar sobre o concelho a que pertence. E para além do que já disse, o concelho de Góis tem 5 freguesias: Alvares, Cadafaz, Colmeal, Góis e Vila Nova do Ceira, com um total de 4200 habitantes.
Com mais de 8 séculos de existência, a Vila de Góis está situada a 40 Km de Coimbra, no Vale do Ceira, entre as serras do Carvalhal e do Rabadão, e aí que se concentra a maioria a população do concelho (cerca de 2000 pessoas). O concelho de Góis, pela sua natureza rural, tem muito para oferecer aos seus visitantes. O rio, principal elo de ligação de todo o concelho, dá aos visitantes e veraneantes uma paisagem deslumbrante, desde a terras altas da freguesia do Colmeal até ao Cerro da Candosa (freguesia de Vila Nova do Ceira), local onde se despede do concelho de Góis para dar entrada no da Lousã.

O Vale do Ceira
É a representação viva da expressão “vale encantado”, composto por toda uma paisagem idílica, repleta de elementos de grande riqueza e biodiversidade, com um elemento natural sempre bem presente, o Rio Ceira, cujas águas cristalinas serpenteiam por todo o vale, conferindo-lhe uma riqueza singular, as suas praias fluviais que no verão deliciam quem as visita, proporcionando uns excelentes banhos e relaxantes passeios ao longo das sua margens.
A região tem sensivelmente 150 aldeias, a maior parte das quais possui história com centenas de anos. A área é rica em vestígios arqueológicos, com milhares de anos, dos quais são exemplo os petroglifos da Idade do Bronze.
A maior parte do concelho é florestada, na totalidade 248km. Os vales criados pela passagem do rio e as encostas repletas de árvores formam uma combinação perfeita para a prática de todo o tipo de desportos, desde a caminhada, BTT, canoagem, escalada, equitação. Por todo o lado as vistas são soberbas, e a área possui uma enorme abundância de vida selvagem, tendo também muito para oferecer a artistas, fotógrafos e observadores de animais. Para os menos energéticos, o Rio Ceira acalma na parte Norte do Concelho, fornecendo várias praias fluviais.

Penedos de Góis
Trata-se, sem dúvida, de um dos mais soberbos miradouros naturais da região centro, atingindo uma cota de 1043m de altitude no seu ponto mais alto.
Um ponto de interesse turístico, do concelho de Góis, para todos os aficionados e praticantes de turismo de natureza, desporto aventura, fotografia, entre outras actividades. Podemos apreciar o seu castelo

Monumentos :
Do antigo, restam na freguesia de Góis alguns notáveis monumentos, que impõem a que neles nos detenhamos: a igreja matriz, construção original do século XV, sofreu grandes modificações nos séculos seguintes.
No interior da igreja encontra-se também o túmulo de D. Luís da Silveira, (senhor do morgadio de Góis, conde de Sortelha e embaixador de D. João III na corte de Carlos V) e de seus familiares, aparatoso mausoléu formado por uma arca, com a estátua do fidalgo, armado e em oração, enquadrada por um baixo-relevo evocativo da Assunção de Nossa Senhora, datado de 1513.

A capela do Castelo:
É uma construção manuelina coroada de merlões e composta de dois corpos desiguais abobadados sobre nervuras.
Em redor de Góis damos um passeio por um vale de sonho, cruzando pontes centenárias, paisagens bucólicas, onde o socalco é rei. Esbeltas florestas pelas Serra do Rabadão e do Carvalhal, ou por recantos, onde o rio salta com eterna impetuosidade, sobre a majestosa fraga na qual se ergue a Ermida da Nossa Senhora da Candosa.
A Ponte Manuelina, é igualmente, uma estrutura viária de grande valor.

Gastronomia:
Com o decorrer dos tempos, muitos foram os pratos tradicionais que se perderam, no entanto, com esforço já se recuperaram alguns deles: a chanfana, o arroz de cabidela, as papas de milho, a célebre sopa de castanhas e o Bucho de Góis. O pão de milho e a broa são alimentos típicos de Góis que são muito apreciados tanto pelos residentes como pelos visitantes.
Como produtos alimentares endógenos/locais temos:
• Aguardente e licores de mel e medronho;
• Azeite;
• Bolo doce de Góis;
• Bola de carne;
• Bola de sardinha;
• Queijo de cabra e ovelha;
• Castanha
• Enchidos;
• Mel de urze (com a denominação de Mel da Serra da Lousã)
• Broa
• Mel, um dos mais apreciados de Portugal, é um condimento que entra em alguns pratos típicos de Góis, tais como nas Filhós de Mel.

Artesanato:
Produzem-se artigos artesanais de grande qualidade, tais como artigos em estanho, as famosas colheres de pau, miniaturas de alfaias agrícolas, miniaturas de casas de xisto, miniaturas de cortiços, pintura sobre xisto, tapeçaria, rendas e bordados, usadas para ornamentar naprons, panos de cozinha, trapologia feita com quadradinhos de vários tecidos, utilizados para tapetes, passadeiras e coberta de cama.

Festas, feiras e romarias na Vila de Góis:
• Todas as terças-feiras é realizado o mercado semanal;
• A 24 de Junho comemora-se a festa de S. João
• A 13 de Agosto é o feriado municipal e nessa semana realiza-se a FACIG – Feira Agrícola, Comercial e Industrial de Góis;
• A 1 de Novembro tem lugar a Feira da Castanha e do Mel (Feira dos Santos).

Futuro:
Góis é um concelho que tem uma beleza natural incomparável, mas debate-se, desde há alguns anos a esta parte, com a forte desertificação, proveniente, principalmente, da falta de empregos.
Contudo, nasceu uma nova esperança com o actual executivo camarário e com um investidor que em Maio apresentou o empreendimento turístico que pretende implementar em Góis. Trata-se do Health Resort Góis e será um dos primeiros no nosso país a disponibilizar de uma forma integrada o bem-estar físico, psíquico, social, espiritual e intelectual, e simultaneamente a prevenção de saúde, através de uma alimentação adequada e cuidada, exercício físico acompanhado por especialistas, assistência de enfermagem e médica preventiva. Tudo isto em plena harmonia com a natureza.
Este Health Resort terá um Hotel e sala de conferências, um SPA e um Health Club, um Aparthotel, uma Residência Sénior (para idosos), um Jardim-de-infância e Creche, parque Infantil e Sénior, Habitações unifamiliares Sénior; Unidade de Cuidados Continuados.

Lenda:
No monte acima da aldeia existe uma mina chamada “A Buraca dos Mouros”. Um conto tradicional diz, que no passado tinham vindo os Mouros para a aldeia e os habitantes tentaram fugir. No entanto os Mouros capturaram um homem, penduraram-no numa figueira e espetaram-no com garfos de ferro. Entretanto, uma mulher com os seus dois filhos fugiu, descendo pelo carreiro que leva ao rio até a “Lapa da Fonte” e esconderam-se por baixo desta, porque esta fazia um tipo de gruta. Com as suas mãos ela tapou a boca as crianças para as manter caladas. Os Mouros tinham observado a fuga da mulher e vieram a procura dela e dos filhos. Eles chegaram a estar mesmo por cima da “Lapa da Fonte” mas a mulher e as suas crianças mantiveram silêncio. E só muito mais tarde, já era de noite, quando ela tinha a certeza que os Mouros tinham ido embora, ela deixou o esconderijo e regressou acompanhada pelos filhos para a aldeia. A aldeia encontrava-se deserta porque todos os habitantes tinham fugido, mas os Mouros tinham ido embora e assim a mulher e as crianças estavam salvos. No dia a seguir os habitantes regressaram para a sua aldeia.
Toda esta apresentação foi acompanhada por fotos através de um Power Point.
Nota: se gostou deste texto, o mesmo está a concurso no blog http://www.aldeiadaminhavida.blogspot/.

2 comentários:

Paula Santa Cruz disse...

Parabéns Eugénia, por este texto e dar a conhecer o nosso lindo concelho.
Bjs
Paula Santa Cruz

Catarina disse...

Boa tarde

Descobri por acaso este site que devo dizer está muito interessante.
Aproveito para pedir ajuda, ando á procura de um quarto de casal para o fim de semana de 21 e 22 de Agosto....será que me podem ajudar?

A MINHA ALDEIA

" Da minha aldeia vejo quando da terra se pode ver no Universo....
Por isso a minha aldeia é grande como outra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura...

Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista a chave,
Escondem o horizonte, empurram nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a única riqueza é ver. "
Alberto Caeiro, em "O Guardador de Rebanhos"