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terça-feira, 27 de outubro de 2009

"HISTÓRIAS DA MINHA ALDEIA" Capítulo 2

A aldeia de Cortecega foi sempre uma aldeia com tradições, costumes, usos ,bailaricos e festas que se mantém até hoje.

Como já referi anteriormente existiu aqui um Rancho Folclórico só com habitantes desta terra. Chega-mos a ser mais de 35 elementos, entre dançarinos, tocadores e organizadores. Éramos uma família.

À semelhança de outras aldeias do interior, a nossa também nesta época não tinha luz eléctrica. As estradas eram em terra batida. O correio passava 3 vezes por semana e mais tarde começou a passar todos os dias. O carteiro percorria várias aldeias e sempre que chegava, agarrava na corneta e tocava 3 vezes para as pessoas saberem que tinha chegado. A água era de um chafariz existente no meio da aldeia e quando o verão era muito quente faltava a água e tinha-mos de a ir buscar em cântaros e bilhas à cabeça, a mais ou menos um quilómetro de distância. Na aldeia, havia uma mercearia que se chamava Mercearia do “Tio Rafael”. Este não sabia ler nem escrever, anotava tudo com uns riscos num papel, mas não enganava ninguém nem se deixava enganar. Esta mercearia tinha de tudo um pouco, era servida todos os fins-de-semana pelos filhos, o Tio Zé e o Tio Mário, que tinham, e ainda tem um supermercado em Coimbra.
Chegou a ser umas das aldeias dos arredores com mais habitantes. Só pessoas entre os 10 e 19 anos era-mos 17, fora os mais pequenos e os mais velhos. As casas que hoje se encontram vazias ou em ruínas, estavam cheias de famílias com 6, ou mais pessoas.

Todos os fins-de-semana haviam um bailarico, vinham pessoas doutras aldeias e principalmente jovens, pois nesta aldeia havia muitas raparigas. Era um dos entretimentos, onde se divertiam novos e mais velhos.
Ao som do gira-discos, do rádio, do gravador, do harmónio, da concertina ou da flauta. Qualquer coisa servia para divertir este povo sempre muito reinadio e danado para a paródia. Como não havia luz eléctrica, estes bailaricos eram feitos á luz da candeia a petróleo ou à luz do luar.
Os rapazes muito malandrecos, passavam pela pessoa que estava com a candeia à cabeça e assopravam para a apagar, aproveitando este momento para dar um beijinho ao seu par.

Deixo aqui uma foto deste tempo. Obrigada ao Jorge que guardou esta preciosidade e ainda lhe colocou legendas.

Lá a trás penso que é a Teresa a dançar com o Aníbal, mais à esquerda a Cecília com o João, Eu (Eugénia) a dançar não sei com quem, pois não se vê, à direita mas atrás está a Fátima a dançar com o Joaquim e à frente a Anabela com o Américo e o Jorge com a Isabel. Se eu estiver enganada por favor corrijam-me.

4 comentários:

Paula Santa Cruz disse...

Falta a legenda dos nomes dos meninos e meninas para podermos reconhecê-los.
Vê lá se consegues descobrir quem são.
Filipe Santa Cruz

nanda disse...

olà daqui é o joaquim, quem dansa comigo é bem a minha irma fatima. eu tambem cà tenho essa foto. tenho mais da minha familia dessa época se quizeres depois eu mando por mail.
um abraço a todos
joaquim

Eugénia Santa Cruz disse...

Olá Joaquim!
Foi um prazer saber que vias o blogue da nossa terra, ainda bem que me disseste o nome da tua irmã é que na altura em que escrevi os nomes não me lembrava do nome da tua irmã, sabes os anos vão passando e a memória já falha.
Manda-me todas as fotos que conseguires desta época e doutra, porque este blogue serve para mostrar as gentes da nossa aldeia e o que de mais belo ela tem, e garanto-te que foram tempos difíceis mas também muito bons e que nos ajudaram, a ser o que somos hoje.
Um beijo para todos. Fico a aguardar as fotos.

Anabela disse...

Olà aqui é Anabela, quero comfirmar que sou eu que danço com o Americo. E o meu irmào Joaquim dança com a minha irmà Fatima somos os três irmàos daquela época. Um grande abraço da tua amiga Anabela

A MINHA ALDEIA

" Da minha aldeia vejo quando da terra se pode ver no Universo....
Por isso a minha aldeia é grande como outra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura...

Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista a chave,
Escondem o horizonte, empurram nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a única riqueza é ver. "
Alberto Caeiro, em "O Guardador de Rebanhos"