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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

ACTUALIDADE INSEGURA

Há males que vêm por bem
Mas coitado do tal vintém
Que anda tão procurado;
É ver as Seguradoras
Que dele são detentoras
E, no fim, não dão fiado.

A tragédia da Madeira
Que ouço à minha beira
É disso o testemunho:
Não cobrem a maioria
Dos desastres dum só dia
Nem abrem todo o seu punho.

Tantos meses a descontar
Para se amealhar
Um futuro prometido,
Mas, na hora da aflição,
Quebram as linhas, então,
Do "tesouro" adormecido.

São as linhas miudinhas
Do contrato, andorinhas,
Que só de lupa se lêem;
Depois é o que se vê,
É um tal "não sei o quê"
E desânimos a crescerem.

Poema de Rosa Silva ("Azoriana")

3 comentários:

Helena Teixeira disse...

Olá olá!
Cá estou eu arrastada pelo vendaval e deixou-me aqui :)
O melhor é eu ir mais abaixo aquecer-me junto do forninho.
O seu blog está com mais brilho ou é impressão minha? Amanhã,saem os vencedores da Blogagem de Fevereiro...Surpresas :p

Ah,aproveito e relembro que a Blogagem de Março está pra começar, com o tema "Onde cresceu o meu Pai...". Já sabe,menina Eugénia,25 linhas + foto :) até dia 8/03.

Jocas gordas
Lena

Azoriana disse...

Oh que jeitosa surpresa eu vim aqui encontrar; estou grata pela forma que me quis divulgar e com o nome exacto a acompanhar.

Muito obrigada!

Rosa Silva

Eugéni Cruz disse...

Olá Rosa!
Obrigada por ter visitado o meu blog. Quanto ao seu poema gostei muito, assim decidi publica-lo no meu blog, mas como não era da minha autoria, e por respeito escrevo sempre o autor.

Comprimentos,

Eugenia Cruz

A MINHA ALDEIA

" Da minha aldeia vejo quando da terra se pode ver no Universo....
Por isso a minha aldeia é grande como outra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura...

Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista a chave,
Escondem o horizonte, empurram nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a única riqueza é ver. "
Alberto Caeiro, em "O Guardador de Rebanhos"