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quinta-feira, 22 de abril de 2010

A TREVOADA


Quando era pequena tinha muito medos das trovoadas (ainda hoje tenho muito respeito) escondia-me debaixo da cama para não ver os relâmpagos e rezar a todos os santinhos possíveis e imaginários, só saia quando parasse de trovejar. A minha que também respeitava muito este fenómeno da natureza ensinou-me várias orações e uma delas é sobre a trovoada.
Recordo-me de um dia andava-mos a guardar o gado no campo eu mais duas primas, e caiu uma trovoada tão grande que nos escondemos num buraco da parede a chorar, só saímos quando as nossas mães apareceram para nos buscar.

Ali numa aldeia perto tinham morrido dois jovens que guardavam as ovelhas no campo e um relâmpago apanhou-os e morreram, esta historia levo-me a ter muito medo e respeito.
Assim, para quem tem medo como, eu deixo aqui esta oração já dos tempos dos nossos antepassados que vai passando de geração em geração

Oração a Santa Barbara
Santa Bárbara, se vestiu
Santa Barbara se calçou
Lá no meio do caminho
Jesus cristo encontrou.
Para onde vais tu ó Barbara
Vou espalhar a trovoada
Espalhe-a lá para bem longe
Onde não haja pão nem vinho
Nem bafo de menino
Nem raminho de oliveira
Nem pedrinhas de sal
Nem coisa alguma que faça mal
Amém!

Reza-se um Pai Nosso e uma Ave Maria.

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A MINHA ALDEIA

" Da minha aldeia vejo quando da terra se pode ver no Universo....
Por isso a minha aldeia é grande como outra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura...

Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista a chave,
Escondem o horizonte, empurram nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a única riqueza é ver. "
Alberto Caeiro, em "O Guardador de Rebanhos"