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domingo, 11 de julho de 2010

"A FRUTA DA MINHA REGIÃO"


Texto publicado no âmbito da blogagem colectiva, aldeia da minha vida. aldeiadaminhavida.blogspot.com/Visite , participe , com texto ou apenas comentando. desfrute de uma simples, mas esclarecedora leitura.
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Fazer um texto sobre “ A Fruta da Minha Região” não é fácil, pois não é uma região que tenha um tipo de fruta com abundância. Não tem uma princesa, uma rainha ou um rei frutícola.. Assim a minha aldeia ou concelho não é conhecido pela sua fruta, mas claro tem outros encantos.
Encontra-se um pouquinho de quase tudo (fruta da época) mas cada um tem na sua horta umas árvores de fruta.
Assim, dei por mim a pensar “não tenho muito para falar desta vez, mas como o tema é um pouco livre, vou dar asas a minha imaginação. Porque não contar o que nós fazíamos quando jovens para conseguir comer uma maça, pêra, laranja, cerejas, figos e também as castanhas.” Então aqui vai:

No meu tempo de juventude havia muitos jovens na minha aldeia, nem todos tínhamos árvores de fruta e as poucas que haviam tinham dono. Então na época destas frutas íamos aos quintais dos vizinhos e (desviávamos) para a nossa barriga algumas peças, ficando sempre um a espreitar se o dono vinha enquanto os outros comiam. Nem sempre a coisa corria bem…

Num local chamado “A Fonte” existia uma linda macieira com umas maças vermelhas, e eu e as minhas primas decidimos ir às maçãs do vizinho, claro! Estávamos nós a comer uma maçã descansadas quando começaram a cair pedras. Fugimos para o meio de um silveiral que existia ali perto. Conclusão… ficámos cheias de espinhos e arranhões.

Uma outra vez fomos as pêras que eram do ti’Rafael. Como ficavam escondidas no meio do milho, lá estávamos todos contentes quando fomos surpreendidos pela filha do dono que é surda-muda e começa a correr atrás de nós com um pau.
Moral da história… um belo castigo dos nossos pais.

No tempo das cerejas (que também eram poucas), os meus irmãos Zé e Filipe e o meu primo Armando decidiram ir buscar cerejas a uma cerejeira já velhinha um pouco desviada da aldeia. O Zé e o Armando (medricas) tinham medo de subir a cerejeira e mandaram o Filipe que tinha 9 anos e não tinha medo das alturas.
O Filipe subiu a cerejeira e caiu dela abaixo, mas junto trouxe um grande ramo carregado de cerejas. Quando chegou ao chão ficou quieto e os outros toca a comer cerejas, só parando quando o Filipe começou a chorar.
Trouxeram-no à minha mãe e disseram que ele tinha caído e ficado a dormir.
Conclusão: tinha desmaiado. Foi ao médico e este disse que ele tinha partido os dois braços, um deles no cotovelo e no pulso. Foi para o hospital onde esteve internado 8 dias. Sobrou para quem ?!? Para mim, que durante dois meses é que lhe fazia tudo.
Lembro-me de outra ocasião em que havia uma figueira com uns lindos figos pretos. Só existia aquela e estava junto à casa do dono, mas nós tínhamos de comer daqueles figos. Pensámos e resolvemos de noite ir aos figos. Estávamos todos contentes a comer e a saborear os belos figos e eis que se chove uma penicada de xixi para cima da nossa cabeça.

As castanhas eram abundantes… mas nas aldeias em redor da minha.
Mas claro, não havia soito que no tempo do rubusco ( rubusco era o final da colheita) não fosse assaltado por nós. Saíamos de madrugada, atravessávamos o rio ou então uma ponte velha e lá íamos apanhar um saco de castanhas.
Depois de cheio traze-lo as costas era uma tarefa difícil mas se as queríamos comer tínhamos de as carregar (muitas vezes 2 horas às costas.)
Claro que isto acabava por ser uma brincadeira mas também a necessidade era muita. A fome por vezes apertava um bocadito e lá ia a fruta daqueles a quem não fazia falta.

Hoje há fruta que chegue e ainda se estraga. Os soitos ficam cheios de castanhas mas mesmo assim ainda se aproveita alguma para fazer doces de cereja, pêssego, maçã, uvas e licores da mesma fruta para consumo próprio.
As castanhas servem também para depois de secas e piladas fazer sopa de castanha, rechear a carne, ou fazer doce. Nesta zona existem várias receitas de castanha (algumas delas podem ser consultadas no meu blog em “receitas”.)

Aqui fica mais uma história passada na minha aldeia e nas aldeias vizinhas.

4 comentários:

Flora Maria disse...

Quantas aventuras viveu em sua infância...
Mas, permita minha curiosidade: por que não tinham frutas em sua casa ?
A terra não era boa ?

Eu sei porque não as tenho em quantidade aqui no meu quintal: a terra é muito pobre, arenosa, e as formigas atacam as plantações. Ainda assim alguma coisa consigo colher, como Amoras, Pitangas e Limões.

Gostei de ler suas lembranças.

Beijo

Lena disse...

Parabéns,Geny. Adorei. Viu como ficou altamente o seu texto. Essas histórias de vida emocionam e fazem rir. Os meus pais também partilham aventuras dessas:por exemplo, minha mãe subiu a uma cerejeira e deu cabo do nariz ou os irmãos e ela fugiram dum vizinho refilão por irem aos abrunhos...ihihih...
Ficou fantástico o seu texto, como sempre.

Jocas gordas
Lena

Sandra disse...

QUANTA DELICIA ENCONTRAMOS POR AQUI. BELAS FRUTAS.
VOU TE ESPERAR NA INTERAÇÃO PARA PARTICIPAR.
http://sandrarandrade7.blogspot.com/

TAMBÉM ESTOU PARTICIPANDO NA ALDEIA.
VENHA COMENTE E PARTICIPE.
CARINHOSAMENTE,
SANDRA

Susana disse...

Eugénia: Fico muito satisfeita por saber que a aldeia está a proporcionar bons momentos de nostalgia daquele tempo que já não volta.
Amiga não tive a coragem de cortar o texto, apenas dividi-o...com tantas boas memórias para contar todos tinham que saber tudinho ao pormenor.Por isso amanhã sai a segunda parte lá na aldeia.


Bjs

A MINHA ALDEIA

" Da minha aldeia vejo quando da terra se pode ver no Universo....
Por isso a minha aldeia é grande como outra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura...

Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista a chave,
Escondem o horizonte, empurram nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a única riqueza é ver. "
Alberto Caeiro, em "O Guardador de Rebanhos"